Paula Pimentel elogia dedicação dos funcionários, num momento «muito difícil» para as instituições e autoridades

Bragança, 31 mar 2020 (Ecclesia) – A presidente da União das IPSS do Distrito de Bragança (UIPSSDB) pediu ao Governo que promova a realização de testes à Covid-19 nos lares de idosos e lares residenciais da região.

“Espero que, o mais depressa possível, cheguem a Bragança”, disse Paula Pimentel, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O executivo português anunciou a realização de testes de despiste da doença, desde segunda-feira, em todos os lares de idosos dos concelhos de Lisboa, Aveiro, Évora e Guarda.

A UIPSSDB integra 83 associadas, às quais espera distribuir, brevemente, material de proteção, como luvas, mas admite “já algumas falhas, a nível de ruturas de stocks das máscaras”.

“Quero apelar ao Governo para que faça chegar às instituições respostas, para podermos intervir e agir melhor. Já lidamos com graves limitações, no dia a dia, a nível de comparticipações. Não é altura de reclamar nada, mas é preciso pensar que as IPSS são fundamentais, na sociedade, pelo que têm de ter o apoio necessário”, refere Paula Pimentel.

“Apesar de a situação ser muito difícil, todas as entidades estão a trabalhar numa rede, para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance”, acrescenta a entrevistada.

A UIPSSDB tem mantido um “briefing” diário com várias entidades – Segurança Social, Proteção Civil e Forças de Segurança – para identificar problemas e tentar encontrar soluções para uma “situação nova”.

Perante a pandemia, várias instituições na diocese transmontana abriram as suas portas para acolher trabalhadores da área da saúde, das forças de segurança e das IPSS, que estão “na linha da frente”.

Paula Pimentel é diretora técnica e vice-presidente da Fundação Betânia (Diocese de Bragança-Miranda), admitindo que o “desafio é enorme” numa instituição com 70 idosos numa estrutura residencial permanente.

“Desde o início procuramos programa um plano de contingência, adequado às nossas necessidades, à nossa realidade”, relata.

A responsável destacou o esforço de responsabilização e sensibilização de funcionários, utentes e seus familiares.

“A primeira precaução foi limitar visitas, acessos”, uma medida anunciada ainda antes da determinação governamental, e a maior parte das pessoas aceitou “muito bem” a situação.

No terreno, indica Paula Pimentel, o esforço passou por “reforçar as boas práticas” que já estavam implementadas, como a desinfeção dos espaços ou uso de fardamento e calçado para uso exclusivo na instituição.

“Cada um de nós tem um plano, os circuitos que tem de percorrer, para evitar ao máximo os contactos”, precisa.

O espaço está dividido por pisos, mudando a dinâmico de trabalho, que passa habitualmente por “aproximar as pessoas”, e os funcionários distribuídos em três equipas, “que evitam ao máximo cruzar-se”, em turnos de 12 horas.

“O trabalho é muito exigente, muito desgastante”, assinala Paula Pimentel.

A responsável elogia a dedicação dos profissionais, mas admite, com emoção, que “as pessoas têm medo”.

Têm vontade e coragem para enfrentar os desafios e eu só posso agradecer a todas as pessoas que querem dar o seu contributo” para dar aos idosos “o conforto que eles merecem”.

Os dados oficiais da Direção-geral da Saúde, divulgados hoje, dão conta de 72 casos de Covid-19 confirmados no Distrito de Bragança.

HM/OC

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