D. José Ornelas pede reforço dos apoios às IPSS e admite impacto negativo na vida das paróquias

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Fátima, 15 abr 2021 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse hoje em Fátima que as instituições católicas registaram um “acréscimo muito grande” de pedidos de ajuda, para pagar contas domésticos.

D. José Ornelas falava no final da 200ª Assembleia Plenária dos bispos católicos, que decorreu em Fátima desde segunda-feira, prevendo que a situação se venha a agravar com o fim das moratórias.

“Certamente, não vai melhorar para o futuro”, advertiu.

O responsável apelou ao reforço dos apoios às IPSS, por parte do Estado, incluindo o Ministério da Saúde.

O comunicado final da Assembleia Plenária manifestava a preocupação de todos os bispos pela sustentabilidade das instituições de solidariedade social.

“A epidemia tornou evidente que, além do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, devem poder contar com o apoio logístico e financeiro do Ministério da Saúde”, defende a CEP.

Para o presidente do episcopado, esta questão é “muito séria”, que se agrava com as despesas suplementares com o combate à pandemia e os equipamentos de proteção individual.

“O apoio necessário ficou muito aquém” das necessidades acrescidas, indicou.

O bispo de Setúbal referiu-se em particular à situação dos lares, que recebem pessoas “cada vez de maior idade” e com situação de saúde mais degradada, tornando-se “praticamente, casas de cuidados paliativos”.

Segundo o bispo de Setúbal, a evolução destas situações não está refletida no financiamento às instituições, levantando uma “questão crucial” para o futuro dos “cuidados continuados e paliativos” em Portugal.

“Temos de repensar os modelos das pessoas, dos custos”, apontou.

O presidente da CEP realçou que esta não é só uma questão financeira, sendo necessário repensar o modelo de assistência.

Foto: Agência ECCLESIA/OC

No comunicado final da 200ª Assembleia Plenária dos bispos católicos, que se iniciou na segunda-feira, os responsáveis alertam para “a situação de vulnerabilidade e de grave crise económica e a realidade concreta em cada diocese”.

D. José Ornelas admitiu o impacto da suspensão das celebrações comunitárias na vida das paróquias e na sua ação de solidariedade, com “muitas situações, pelo país fora”, de dificuldade em cumprir os compromissos assumidos.

“A pandemia atingiu-nos as todos”, assumiu.

O bispo de Setúbal destacou, também, o aumento da solidariedade, que procurar ir ao encontro destas situações de “insolvência”.

OC

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