Fernando Magalhães destaca resposta das instituições à pandemia

Foto: Lusa/EPA

Almada, 15 jan 2021 (Ecclesia) – O presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) afirmou que “é uma evidência por demais clara” que “as escolas são lugares seguros”, mas o mesmo não pode garantir  no percurso “até chegar à escola e depois de sair”.

“Não podemos esquecer que uma coisa é a nossa presença e a nossa vida dentro da escola, e essa nós controlamo-la, acompanhamo-la, corrigimos. Insistimos nos procedimentos, reforçamos os comportamentos preventivos, mas não nos podemos esquecer que até chegar à escola e depois de sair há uma vivência que não podemos esquecer”, disse Fernando Magalhães à Agência ECCLESIA.

O Governo português decidiu manter as escolas em funcionamento no novo confinamento que começou às 00h00 desta sexta-feira, para controlar a pandemia de Covid-19.

O presidente da APEC sublinha que as escolas não controlam, no entanto, “a vivência familiar, a vivência social, dos transportes, das refeições” e do convívio dos alunos “fora da escola”.

O segundo período  do ano letivo 2020-2021 começou há cerca de uma semana e o presidente da APEC, também diretor do Externato Frei Luís de Sousa, da Diocese de Setúbal, assinala que “existe sempre um forte reforço da consciência dos miúdos” em relação aos seus comportamentos.

Segundo o responsável, “outros hábitos foram acontecendo em casa e nos convívios mais familiares, mais informais”, pelo que no regresso às escolas “tiveram de ser recordas e reforçadas” várias medidas, “como indicador de responsabilidade para todos”.

Fernando Magalhães considera que, apesar do novo confinamento, para os alunos “continua tudo como desde o início do ano letivo”, admitindo que existam impactos nas “dinâmicas associadas”, nas rotinas familiares, em serviços nas imediações dos estabelecimentos de ensino.

“Houve mais sobressalto até estar completamente clarificado”, acrescentou.

O entrevista refere que o dia-a-dia dos diretores das escolas inclui agora a gestão, “com as autoridades de saúde”, dos casos de Covid-19 que vão surgindo na comunidade escolar, de forma “responsável, prudente, num diálogo com as instituições”.

“Não vivemos fora do mundo: se o contexto da sociedade está com casos, é natural que todas as instituições tenham casos. É também a forma como falamos dos casos com os miúdos, com as famílias, com a comunidade educativa no seu interior, que marca toda a diferença”, desenvolveu.

O presidente da APEC destacou a “resposta pronta” destas instituições, de “qualidade”, e a preocupação em “cuidar da pessoa, da formação integral da pessoa, muito para além do que é a literacia e numeracia”.

“A forma como as escolas foram respondendo é exemplar sob vários pontos de vista”, conclui.

CB/OC

A Associação Portuguesa de Escolas Católicas vai promover o webinnar (conferência online com intuito educacional) ‘liderança ética em contexto escolar de pandemia’, para refletir sobre como podem “ajudar toda a comunidade educativa” na “desconstrução de medos, receios”, com o psiquiatra Vítor Cotovio, para direções, pessoas com responsabilidade educativa e professores.

“As pessoas que habitam a escola habitam as famílias e é naturalíssimo que a forma como as emoções são vividas nas famílias são aquelas que depois são vividas na escola, com inquietações, receios, há angústias, há medos, há também situações de perplexidade, de desorientação, situações de experiência amarga de vida por circunstâncias de desemprego, carências económicas, de situação de doença familiar que deixou marcas”, explicou Fernando Magalhães.

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