Profissional aborda experiência na linha da frente e sofrimento nos lares

Lisboa, 08 mar 2021 (Ecclesia) – A médica Marta Jonet considera que os últimos tempos foram “desafiantes” e “desgastantes”, mas entende que as vitórias foram superiores às derrotas no combate à Covid-19.

“Tivemos um crescimento científico e ao nível familiar devido ao confinamento que obrigou as famílias estarem em casa”, disse esta médica do Hospital Fernando Fonseca, habitualmente designado por Amadora-Sintra, em entrevista à Agência ECCLESIA, emitida hoje na RTP2.

A profissional assinala que o confinamento obrigou as pessoas a ficarem mais centradas “para dentro” e “não tanto para fora”.

Na linha da frente no combate à pandemia, o último ano de Marta Jonet foi de enorme desgaste, tanto no hospital como nos lares, porque nestes centros de apoio à terceira idade, neste caso com uma vertente emocional “devido à ausência das visitas” e da solidão” das pessoas.

Enquanto médica, Marta Jonet sublinhou que este tempo foi “de crescimento enorme”, tanto na área profissional como enquanto pessoa.

Ao longo dos meses foram-se “criando novas estratégias” para aproximar tanto as equipas médicas e de enfermagem, bem como as famílias dos doentes.

“Hoje em dia, até na Urgência do Amadora-Sintra, onde havia historicamente uma visita de meia hora por dia, há um administrativo que pega no telemóvel e faz videochamadas com todos os doentes para as famílias”, realça.

Para a entrevistada, este é um avanço “espetacular” em termos de “proximidade e cuidado do outro”.

Entre a atividade profissional e a vida familiar, Marta Jonet confessa que “a gestão do tempo foi muito difícil”.

A médica realça que, face ao desconhecimento inicial do vírus, ficou dois meses afastada do marido e dos filhos, uma decisão “duríssima do ponto de vista emocional”.

Marta Jonet assume a sua identidade cristã num meio focado na ciência e profissional, realçando, no entanto, que é fácil para si “dar testemunho” de fé no ato de “servir o outro”.

Depois de tantos meses a cuidar de doentes com a Covid-19, Marta Jonet também contraiu o vírus em novembro passado, em que “esteve 20 dias com os filhos, em casa”.

A profissional de saúde trabalha também em dois lares e considera “atroz” o sofrimento destas pessoas devido à pandemia.

Durante este período crítico foi aprovada na Assembleia da República a lei da eutanásia, um dos “maiores desgostos” para Marta Jonet, que faz parte da direção da Associação dos Médicos Católicos.

Com vários anos de experiência, a entrevistada diz que nunca lhe aconteceu “um doente pedir para morrer”.

HM/LFS/OC

 

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