Amiga há mais de 50 anos, Maria Lúcia Mendes testemunha Igreja de proximidade e comprometida de monsenhor António Barbosa

Lisboa, 08 mar 2021 (Ecclesia) – Monsenhor António Barbosa, sacerdote da Prelatura do Opus Dei, foi para Maria Lúcia Mendes uma pessoa que serviu a Igreja, “de forma calorosa e próxima”.

“Cultivava grande liberdade nos relacionamentos. Era uma corrente de ar de alegria, cheio de energia, mas desaparecia. Não era dono das almas, conseguia sentar-nos à beira de Jesus”, recorda a amiga há mais de 50 anos que, com o monsenhor, conheceu a «Populorum progessio», escrita por Paulo VI.

A então jovem universitária “tinha uma grande ânsia de justiça social”, e encontrou na companhia e convivência com o então padre António Barbosa o entusiasmo para os ideais de “justiça”.

“Ele animou-nos muito para promovermos debates nas residências universitárias, nas salas das Faculdades. Incentivava-nos a ir aos bairros de lata, perceber como podíamos ajudar, levar Deus às pessoas puxando por elas, promovendo-as socialmente e, em simultâneo, puxava pela vida interior”, relata, na edição de hoje das ‘Memórias que Contam’, promovidas pela Agência ECCLESIA.

Monsenhor António Barbosa, sacerdote da Prelatura do Opus Dei, faleceu no dia 2 de março, em Lisboa, aos 84 anos de idade, vítima de Covid-19.

O sacerdote nasceu no dia 28 de outubro de 1936, em Lisboa; após ter estudado Medicina, pediu a admissão no Opus Dei e mudou-se para Roma, onde estudou filosofia, teologia e se licenciou em Direito Canónico; mais tarde, fez licenciatura em jornalismo, no instituto que antecedeu a Faculdade de Ciências de Informação da Universidade de Navarra (Pamplona), tendo sido ordenado sacerdote no dia 11 de agosto de 1963, em Madrid.

Das memórias de uma convivência espiritual próxima, Maria Lúcia Mendes recorda a capacidade de se fazer entender por todos, “fossem intelectuais ou pessoas simples”, que a todos convidava para “se sentarem junto de Jesus”.

“Esteve onde lhe pediram, serviu as pessoas, a Igreja com todo o amor, unindo, de forma calorosa”, recorda.

No final de cada encontro, “conversa ou confissão”, dizia “«Faça o favor de ser feliz, menina!»”, numa proximidade emotiva que a Maria Lúcia Mendes recorda.

“Nós sentíamos que ali estava uma vida interior sólida, mas que era uma pessoa amiga que não censurava ou criticava. Ajudava a recomeçar sem dramas. E dizia-me: «Se queres ser santa, sê muito grata, menina!», relata.

A rubrica “Memórias que contam” apresenta, durante o tempo da Quaresma, o percurso biográfico de homens e mulheres que faleceram com Covid-19.

LS

Partilhar:
Share