Padre Lino Maia identifica campanha no sentido de privatizar as respostas sociais ou de as estatizar

Foto: Lusa

Lisboa, 17 ago 2020 (Ecclesia) – O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS) manifestou “preocupação” para comentar a pressão que a Ordem dos Médicos tem colocado na ministra do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social sobre o surto de Covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz.

“Estranhei que no princípio da crise ninguém erguesse a voz por causa dos médicos que eram retirados para ficarem apenas nos hospitais e dos enfermeiros que também eram retirados dos lares” salientou hoje o padre Lino Maia, em declarações à Agência ECCLESIA.

Por seu lado, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) diz “não ver qualquer alheamento da ministra (Ana Mendes Godinho) perante a situação” no lar de Reguengos de Monsaraz, “pelo contrário”, no seu entender, a situação está “no campo da política pura”.

Um surto de Covid-19 vitimou 18 pessoas no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, na cidade de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora; foram cerca de 80 utentes infetados e 26 profissionais, mas o surto espalhou-se pela comunidade.

Manuel Lemos dá conta de manifestações por parte de grupos profissionais que, no seu entender “querem tirar vantagens e dividendos desta situação, colocando em causa o setor social e o trabalho das instituições”.

Opinião semelhante é partilhada pelo padre Lino Maia ao afirmar, “quando enviavam doentes contaminados de regresso aos lares também ninguém ergueu a voz”.

Perante a polémica que envolve a Ordem dos Médicos e a ministra do Trabalho e da Segurança Social, o responsável da CNIS identifica “uma certa campanha no sentido de privatizar estas respostas sociais ou então de as estatizar”.

O padre Lino Maia considera que tal é grave pois “a comunidade tem demonstrado ser ágil e solidária e desfazer este setor seria matar aquilo que a comunidade tem de melhor na proteção aos mais necessitados.

Manuel Lemos recorda que a pandemia veio chamar a atenção para a importância do setor social que era sistematicamente esquecido. “Este acordar, infelizmente muito violento, veio lembrar a importância do setor”.

Os responsáveis da CNIS e da UMP querem antes que o Estado “não esqueça o setor social” quando estiver a aplicar os apoios prometidos por Bruxelas.

Manuel Lemos não esquece a “bazuca” do primeiro-ministro António Costa, e deixa o desafio: “Então vamos dar também um tiro bem dado na proteção dos idosos e dos mais frágeis em Portugal e não deixar que os quadros comunitários não beneficiem apenas alguns.”

“Se o setor social está na linha da frente da resposta, também têm de estar na linha da frente dos apoios, é que os custos agravam-se e os meios vão escasseando, é importante que haja apoio condizente com o que este setor necessita”, acrescentou o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social.

HM

 

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