Coordenador nacional destacou capacidade de adaptação à nova realidade

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 06 jun 2020 (ECCLESIA) – O coordenador nacional das capelanias hospitalares disse à Agência ECCLESIA que os hospitais “nunca ficaram” sem assistência espiritual e religiosa durante este período pandémico, porque “os doentes tinham esse direito”.

“Não houve um guião nacional” para os capelães hospitalares porque “cada unidade era única”, mas “houve a adaptação de cada capelão ao seu próprio contexto” e alguns “foram para casa mas ficavam de chamada”, referiu à Agência ECCLESIA o padre Fernando Sampaio, que é também capelão do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Os capelães hospitalares estavam com “trabalho diferenciado consoantes as unidades”, mas “maior parte das capelas dos hospitais permaneceram abertas, “sem Eucaristia” mas “eram pouco frequentadas”, sublinhou.

Quando se assiste a um desconfinamento, o padre Fernando Sampaio recorda que as unidades hospitalares “com doentes de Covid-19” influenciaram o trabalho dos capelães que também “ficaram perplexos”.

O medo “deste desconhecido” existe e a restrição das visitas aos doentes foi notória.

Os capelães hospitalares aperceberam-se de que “podiam ser um fator de propagação do vírus” e não queriam “ser mais um problema, mas parte da solução”, explicou, sem esquecer que alguns capelães “são idosos e também são pessoas de risco”.

Alguns hospitais “sentiram a necessidade dos capelães” e pediram-lhes “para voltarem”, “visitassem os doentes” e “houve a assistência a doentes infetados”, referiu o padre Fernando Sampaio.

As situações de “maior isolamento” e nos “cuidados intensivos” eram “mais complicadas”, adiantou o coordenador nacional das capelanias hospitalares.

Foto: Lusa.
Jorge Humberto, da Aliança Evangélica, Fernando Sampaio, Coordenador do Grupo de Trabalho Inter-religioso (GTI), e José Nuno da Silva, porta-voz do GTI.

Os profissionais de saúde foram “extraordinários” neste período “de enorme desgaste”, mas o padre Fernando Sampaio recordou também “as senhoras da limpeza, que ganham tão pouco”.

A pandemia avivou a consciência das pessoas para “a fragilidade, vulnerabilidade e da condição humana”.

Devido às limitações provocadas pelo vírus, os profissionais de saúde “fizeram muito” do trabalho dos capelães hospitalares no “sentido da aproximação ao próprio doente”, realçou.

O conforto “da espiritualidade” serve para os doentes e para os profissionais de saúde, disse o capelão do Hospital de Santa Maria.

Depois deste período pandémico, o padre Fernando Sampaio salienta que “é fundamental tirar ilações” e no futuro “aliviar obstáculos e facilitar no encontro”.

HM/LFS/OC

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