Padre Miguel Neto explica que dificuldades financeiras afetam todas as paróquias do Algarve

Faro, 02 mai 2020 (Ecclesia) – A Diocese do Algarve colocou em ‘lay-off’ vários trabalhadores não clérigos por causa da quebra de receitas motivada pela suspensão de atividades de culto, no contexto da pandemia do Covid-19, uma medida que “não abrange membros” do clero.

“Esta medida não abrange nenhum elemento da hierarquia da Igreja, apenas os trabalhadores das fábricas das igrejas”, disse o padre Miguel Neto, do Gabinete de Informação da Diocese do Algarve, divulga o jornal diocesano ‘Folha de Domingo’.

O sacerdote exemplificou que com trabalhadores dos secretários paroquiais ou funcionários de museus e adiantou que o regime de ‘lay-off’ foi adotado para o Centro Pastoral de Ferragudo, a Casa de Retiros de São Lourenço do Palmeiral, a loja de artigos religiosos de Faro, o Museu da Casa Episcopal e o Seminário de São José.

“Não havendo reuniões de fiéis, ou estando os museus e outros centros de atividades encerrados, não se podem realizar coletas. Alguns fiéis mais conscientes enviam por transferência bancária as suas ofertas”, realçou.

Segundo o padre Miguel Neto, as dificuldades financeiras afetam todas as paróquias do Algarve sobretudo as que “se situam em zonas geograficamente deprimidas, como a serra” e “pouco pode ser feito para obviar” a quebra de receitas.

O sacerdote explicou que a mesma medida “não parece ser aplicável aos párocos e outros sacerdotes, pois não têm propriamente um contrato de trabalho” e assinalou que “a missão do padre continua a existir” e nem se pode dizer que os padres “deixam de trabalhar”, uma vez que “continuam a celebrar em privado, já para não falar das exéquias e outras celebrações e atividades”, apesar da suspensão das celebrações comunitárias.

A Diocese do Algarve prevê que em “meados de maio ou princípio de junho” possam retomar as celebrações comunitárias, com entradas controladas, encaminhamento para lugares previamente marcados e outros condicionalismos.

“Os próximos meses serão também economicamente difíceis para a região do Algarve, que conhece quebras no turismo muito acentuadas e cuja retoma pode ser complicada e demorada e isso é para a Igreja uma grande preocupação, pois o desemprego dos algarvios vai trazer novas fragilidades sociais”, desenvolveu o padre Miguel Neto, do Gabinete de Informação da Diocese do Algarve, lê-se no jornal ‘Folha do Domingo’.

No dia 30 de abril, o primeiro-ministro português anunciou o fim das restrições às celebrações religiosas comunitárias, impostas por causa da pandemia de Covid-19, a partir de 30 de maio, e a Conferência Episcopal Portuguesa, que suspendeu as celebrações comunitárias das Missas a 13 de março, está a discutir com as autoridades “questões de higiene e normas de segurança”, para definir as regras de reabertura das igrejas ao culto.

CB

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