Padre Paulo Teixeira valoriza resposta de toda a comunidade hospitalar em espírito de família 

Foto: Lusa

Porto, 02 mar 2021 (Ecclesia) – O capelão do Hospitalar de São João, no Porto, disse que o conhecimento do primeiro infetado com o novo coronavírus, no dia 2 de março de 2020, causou um “impacto inicial” e gerou uma resposta de toda a “comunidade hospitalar”.

“Receber a notícia de rompante de que está o primeiro infetado entre nós, de que as coisas podem acontecer de uma forma a que não estávamos habituados, cria uma certa apreensão, um certo receio”, disse o padre Paulo Teixeira à Agência ECCLESIA.

O capelão coordenador do Serviço de Assistência Religiosa no Centro Hospitalar de São João, no Porto, lembra que, nesses dias, todos “terão sentido um certo receio, uma certa apreensão por uma ‘coisa’ nova que acabava de chegar”.

“Também nós ficamos ‘à nora’, porque começamos a questionar-nos como agir a partir daí”, recorda, acrescentando que a comunidade hospitalar foi “adotando medidas” que eram transmitidas sobre “novas formas de relacionamento e de aproximação aos doentes”.

“Daí para cá o nosso hospital cresceu muito. Isso envolveu-nos a todos numa família para nos sentirmos todos juntos a remar para mesmo lado”, sublinhou.

O padre Paulo Teixeira considera que o Hospital de São João foi “antecipando alguns cenários” e, pela “dedicação extrema dos profissionais de saúde” e das direções dos vários serviços, foi possível ir “estando à frente em algumas questões fulcrais” e “reagir sempre bem ao volume de internamentos e de pessoas que chegam constantemente às urgências”.

“Costumo dizer, em relação a estes profissionais do São João, que são mesmo ‘pessoas do norte’. As ‘pessoas do norte’ até reclamam muito das coisas, quando não há condições… Mas logo de seguida, depois da primeira reação, às vezes intempestiva, as pessoas dedicam-se inteiramente”, afirmou.

Para o padre Paulo Teixeira, depois do “impacto inicial do dia 2 de março”, a reação conjunta de todos os profissionais da comunidade hospitalar foi acontecendo “até chegarmos ao dia de hoje em que se percebe claramente que a Covid-19, o vírus SARS-COV-2, a azáfama extrema por doentes Covid atingiu uma certa normalidade”, afirmou.

O capelão do Serviço de Assistência Religiosa no Centro Hospitalar de São João disse também que os serviços que coordena se foram “adaptando” às novas realidades de uma nova doença, receberam dos superiores indicações para “agir e reagir” e seguiram as regras que se aplicam “a todo o pessoal clínico e não clínico”.

“Conseguimos fazer o que temos como missão primeira: estar junto dos doentes e das famílias, dos profissionais”, afirmou, lembrando que as visitas nunca foram proibidas no Hospital de São João.

O padre Paulo Teixeira reconhece que antes da pandemia estavam “mais com as famílias”, mas agora não deixam de acompanhar, nomeadamente os processos de luto, que fazem à distância, através do telefone.

Um ano após a identificação do primeiro caso positivo com o novo coronavirus, foram infetadas 805 647 pessoas e faleceram com a Covid-19 16 389.

PR

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