Duarte Caldeira realça que «bastará um comportamento individual para prejudicar os comportamentos coletivos»

Lisboa, 14 mar 2020 (Ecclesia) – O coordenador Plano Institucional de Resposta a Emergências e Catástrofes da Cáritas Portuguesa disse que a instituição deve ter de um papel de “pedagogia ao nível da precaução e da proporcionalidade”, sobre o coronavírus Covid-19.

“Nem subestimação da importância daquilo de que estamos a lidar, mas nada de alarmismos”, afirmou Duarte Caldeira, que destaca a “relação particular de proximidade” da Cáritas Portuguesa “com a comunidade e as pessoas”.

Numa entrevista enviada à Agência ECCLESIA, o coordenador Plano Institucional de Resposta a Emergências e Catástrofes da organização católica explica que a “pior forma de tornar eficaz” as medidas que se pretendem pôr em prática “é causando o sentimento de alarme” porque as pessoas “perdem o discernimento e a racionalidade”.

“Todas as medidas tomadas até agora quer no seio da Cáritas, quer através da Conferência Episcopal Portuguesa, revelam um movimento de consciencialização que manifesta a importância das estruturas da Igrejas na contenção de um problema a cujos contornos que ainda não são totalmente conhecidos”, desenvolveu, observando que “servem e são um elevado contributo para a comunidade”.

A Cáritas Portuguesa tem uma missão no Plano Nacional de Emergência e é, “por dever próprio”, uma instituição com “acento como entidade de apoio”, por isso, estão, neste momento, a trabalhar para “clarificar” a sua intervenção.

Duarte Caldeira realça que a organização católica tem a missão de “apoiar e salvaguarda do equilíbrio” das populações, por isso, a sua missão é de retaguarda, “desejavelmente nos vários escalões em que o sistema responde”.

A Conferência Episcopal Portuguesa, por exemplo, determinou esta sexta-feira a suspensão da celebração comunitária das Missas, até “ser superada atual situação de emergência” originada pelo coronavírus Covid-19.

O também presidente do Conselho Diretivo do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil (CEIPC) explicou que com o Covid-19 se está a lidar com uma situação “tipificada naturalmente como de epidémica” e “precaução e a proporcionalidade” são dois conselhos a ser adotados pelas autoridades, gestores, decisores e cidadãos.

“Precaução na medida em que devem ser tomados os procedimentos adequados a cada situação de modo a prevenir os riscos associados ao surto epidémico; Em proporcionalidade falamos de decisões ao nível de gestão, seja ela no país, nas organizações, através do acompanhamento próximo e permanente e adotando as atitudes e decisões que as autoridades em cada local aconselham”, contextualizou.

O entrevistado realça que “cabe a cada pessoa um papel fundamental” e observa que “não serve de nada ou servirá de muito pouco” que sejam instituídas regas se não forem interiorizarmos, porque “bastará um comportamento individual para prejudicar os comportamentos coletivos”.

“Preparemo-nos para esta aprendizagem que o COVID-19 nos está a convidar a fazer e ela vai ter continuidade noutras circunstâncias, que vão alterar a nossa vida”, concluiu o coordenador Plano Institucional de Resposta a Emergências e Catástrofes da Cáritas Portuguesa.

A Direção Geral de Saúde informou hoje que em Portugal existem 169 pessoas infetadas, 1704 suspeitos, 126 pessoas estão em análise e 5011 em vigilância; O surto de Covid-19 foi detetado em dezembro de 2019, na China, e a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

‘Cáritas é Amor’ é o lema da semanal anual da Cáritas Portuguesa que a instituição está a viver até este domingo, dia 15; O seu presidente, Eugénio Fonseca, vai ser entrevistado no programa ‘70×7’, a partir das 18h05, na RTP 2.

CB

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