Peditório nacional vai levar 4 mil voluntários às ruas do país

Lisboa, 08 mar 2020 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa vai celebrar de 8 a 15 de março a sua semana nacional, com o tema “Cáritas é Amor”, promovendo iniciativas que visam dar a conhecer o seu trabalho no combate à pobreza e exclusão social.

Antecipando a celebração, a organização católica lançou na última semana um novo estudo sobre as “barreiras” no acesso à habitação, educação, cuidados de saúde, emprego e outros serviços básicos, que afetam particularmente “grupos de pessoas vulneráveis”, incluindo trabalhadores empregados.

Durante o lançamento do estudo, a organização católica mostrou-se preocupada com o aumento das rendas e do preço da venda das casas, situação que ultrapassa já as áreas urbanas em Lisboa e no Porto.

O presidente da Cáritas Portuguesa disse em entrevista à Ecclesia e Renascença que a situação que se vive no país, relativamente à pobreza, é “inadmissível”.

“Os salários estão muitos desproporcionados e a desproporção torna-se mais escandalosa quando se percebe os desníveis salariais entre aqueles que ocupam lugares de topo e os que operacionalizam a produção. É este desnível, que é escandaloso, que gera a profundidade das desigualdades que sentimos em Portugal”, refere Eugénio Fonseca.

A partir de quinta-feira, vai decorrer o peditório público nacional, com a participação de cerca de 4 mil voluntários, “apelando ao contributo de todos os portugueses como forma de expressarem a sua solidariedade com todos os que atravessam um momento de vulnerabilidade”.

“Este é um momento que a Cáritas privilegia não apenas pela sua dimensão de angariação de verbas, que se destinam à ação local de todas as Cáritas diocesanas, mas por ser uma oportunidade de contacto direto com a população, com aqueles que apoiam a missão da Cáritas”, assinala o comunicado da organização católica de solidariedade e ação humanitária.

A Semana Nacional acontece todos os anos nos dias que antecedem o Dia Cáritas, instituído pela Conferência Episcopal Portuguesa no 3.º domingo da Quaresma (15 de março, em 2020).

“Neste ano, focamo-nos no centro da Cáritas: o amor traduzido no cuidar do outro”, refere D. José Traquina, bispo de Santarém e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, na sua mensagem para esta celebração.

O responsável católico sublinha, no texto enviado à Agência ECCLESIA, que “o amor é possível e necessário para pensar a sociedade, partindo sempre da pessoa humana”.

Os cristãos devem estar na linha da frente, no interesse pelo bem da sociedade em que vivem. Porque ‘Cáritas é amor’ e o amor é criativo, é desejável que a semana Cáritas seja uma oportunidade para crescer em reflexão e ação”.

Em 2019, a rede nacional Cáritas registou o atendimento a perto de 100 mil pessoas, ajudando a responder “às necessidades básicas de sobrevivência e de dignidade humana”.

Este é um número inferior ao de 2018, dado que a organização católica considera ser um sinal “de esperança”.

OC

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