“Não podemos, por isso, deixar de estar atentos ao que nos rodeia”, alerta o Bispo do Funchal

Funchal, Madeira, 03 jun 2021 (Ecclesia) – O bispo do Funchal disse hoje que só o homem “é capaz de reconhecer o sublime” e de se deixar interpelar por ele, mas a Eucaristia faz perceber aos cristãos que “todos somos devedores”.

“A Eucaristia faz-nos perceber que todos somos devedores, de Deus e uns dos outros, e que, tendo sido cumulados de bens, muito mais que quanto merecíamos, não podemos deixar de agradecer e de viver na gratidão”, frisou D. Nuno Brás na homilia da Solenidade do Corpo de Deus.

O mundo contemporâneo “está cheio de si mesmo”, das suas conquistas e capacidades e tem “dificuldade em sentir-se grato” porque cada um “procura colocar-se num pedestal mais alto que aquele que está a seu lado”, sublinhou.

Longe de limitar e de tornar menores as pessoas, a “gratidão eucarística” ajuda a encontrar o lugar, “a verdade plena de cada um”, e não contentar com quanto já se conseguiu.

“Aquele que se alimenta das modas e dos valores do mundo tem a forma do mundo e aquele que se alimenta da Eucaristia assume a forma de Deus”, acrescentou D. Nuno Brás.

“A Eucaristia faz-nos gente de comunhão, de comunidade e responsáveis pelos amigos, pela família, pela nossa comunidade humana e cristã, pela nossa pátria, mas também responsáveis pelos inimigos e pelos desconhecidos, quer vivam ao nosso lado, quer habitem em terras distantes”, realçou o Bispo do Funchal na celebração.

O programa do ano pastoral na Diocese do Funchal está centrado no sacramento da Eucaristia e previa a realização de um Congresso das Confrarias do Santíssimo, presentes, em praticamente, todas paróquias da Ilha da Madeira.

Não foi possível a realização do Congresso, mas, na celebração, estavam representantes das várias Confrarias do Santíssimo.

“Precisamos de as reavivar, de lhes proporcionar mais dimensão e força espiritual, como condição para reanimar a vida cristã nestas nossas “Ilhas do Santíssimo Sacramento”, disse.

A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos, em 1246, na cidade de Liège, na atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula ‘Transiturus’, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; terá chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus.

LFS

 

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