Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o Dia da Mãe – 1 de MAIO de 2022

Dia 1 de maio é Dia da Mãe, um dia para homenagear todas aquelas mulheres que são mães porque geraram, porque educaram com todo o amor e assertividade que só uma mãe sabe conjugar, porque corrigiram para tornar melhores aqueles que amam, os ajudaram a crescer e os protegeram nos perigos. A história está cheia de mães fortes nos sacrifícios por causa dos filhos e heroínas quando foi necessário protegê-los.

Este ano, não podemos ficar indiferentes aos muitos relatos provocados pela guerra na Ucrânia e feitos por tantas e tantas mães obrigadas a opções dolorosas para salvarem os filhos dos perigos e porventura da morte.

“Começou a guerra”, “mas porquê esta guerra?”… Com estas palavras muitas mães, em lágrimas, começam a relatar como viveram o início da invasão da Ucrânia e como concluíram ser necessário fugir para o estrangeiro ou outras cidades mais em paz… Algumas enviaram os filhos sozinhos ou com alguém conhecido para países estrangeiros, outras acompanharam-nos elas próprias, saindo da sua terra e casa em direção ao desconhecido, deixando maridos a combater e outros familiares para trás. O importante são os seus filhos…

É assim a mãe, vive para continuar a dar vida e dar a sua vida se necessário por aqueles que Deus lhes confiou.

Neste Dia da Mãe de 2022, a Igreja quer prestar a sua homenagem a todas estas “mães coragem” de todos os dias, as que nunca desistem de cuidar, proteger e ensinar a crescer saudáveis os seus filhos. Quer de modo particular deixar uma palavra de esperança a todas estas mães que estão em fuga às bombas e ameaças à vida. A elas se convida a dirigirem o olhar e preces para Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, que viveu igualmente momentos terríveis para salvar o Filho Jesus. Ela foi e é modelo de dedicação até ao fim à sua missão de mãe, nos momentos felizes, mas também nos dramas. Pense-se como terá vivido a fuga para o Egito, um país estrangeiro, depois de perceber que a vida do filho corria perigo, ou quando o perdeu e o reencontrou no Templo passados três dias, ou ainda quando o acompanhou impotente no caminho do Calvário com uma pesada cruz às costas e o recebeu morto no seu colo.

Gostaríamos de contribuir com as nossas preces, acolhimento, apoio e suporte para que cada uma destas mães consiga manter uma esperança firme, como aconteceu com Maria de Nazaré, que, sem desânimo e com a ajuda de S. José, regressaria do Egito para a sua terra. Perante a mais dolorosa experiência para uma mãe que é perder um filho, ela aceitou tornar-se mãe de João junto à cruz e, nele, de toda a humanidade. Perdeu o Filho, mas ganhou um imenso campo de missão. A isto se chama não perder a esperança. Deus nunca abandona os Seus filhos, ouve os seus gritos e manifesta o seu amor mesmo por cima dos escombros da nossa miséria.

Estes dias onde se tem visto, quase em direto, o pior do ser humano, também se tem assistido a muita compaixão, muita dor repartida e consolada, muita solidariedade heroica, numa palavra, o que de melhor há no ser humano. Mas sobretudo, tem-se visto a força, o poder que uma mãe tem! Quem dera que o mundo dos que promovem os horrores da guerra ouvissem os seus gritos por paz… certamente ouviriam pedir não só pelos seus filhos, mas por todos os homens e mulheres vítimas inocentes dos poderosos. Que a Mãe do Céu ouça todas as mães, as console e acompanhe. Em Maria, como em cada mãe, há sempre um coração de paz!

A Igreja em Portugal, qual mãe carinhosa, quer neste dia estar ao lado de todas as mães, comungando da sua alegria pelo dom da sua maternidade e pela fidelidade à missão de mães e esposas. Partilhamos a dupla alegria daquelas que já são avós. Para todas as mães e suas famílias pedimos uma especial bênção de Deus.  Não podemos esquecer quem se sente mais provada no exercício da sua maternidade, seja pelas dificuldades na educação dos filhos, seja porque vítimas de solidão, de separação, de abandono ou de qualquer tipo de violência.

Às mães ucranianas que se encontram entre nós, dizer-lhes que rezamos por elas e pelas suas famílias, que estamos solidários com a sua dor, que gostaríamos de ajudar a parar as lágrimas que derramam e que tudo faremos para minimizar os seus males e necessidades.

Que cada cristão em Portugal contribua para as não deixar perder a esperança na paz e no reencontro com os seus maridos, familiares e casas. E que ao Céu chegue esta prece conjunta, incessante e cheia de fé, qual grito pela paz em todos os lugares onde as mães são postas à prova, perdem filhos, maridos, pais ou entes queridos.

Feliz Dia da Mãe.

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