Apelo conjunto dirige-se a responsáveis políticos, denunciando «ameaça grave» ao futuro da humanidade

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 04 out 2021 (Ecclesia) – Dezenas de líderes religiosos de todo o mundo assinaram hoje no Vaticano um apelo conjunto, para a próxima conferência mundial da ONU sobre alterações climáticas (COP26), pedindo mais ambição na luta contra as alterações climáticas.

“É hora de uma ação urgente, radical e responsável. Transformar a situação atual exige que a comunidade internacional atue com maior ambição e justiça, em todos os aspetos das suas políticas e estratégias”, refere o documento, firmado na abertura do encontro ‘Fé e Ciência: Rumo à COP 26’, que reúne líderes religiosos e cientistas.

“Apelamos aos governos para que aumentem as suas ambições e a sua cooperação internacional”, acrescentam os responsáveis.

A COP26 vai decorrer a partir de 31 de outubro, na cidade de Glasgow, Escócia.

O apelo conjunto defende uma nova “narrativa do desenvolvimento” e um novo tipo de economia, que “coloque a dignidade humana no seu centro e que seja inclusiva”.

A iniciativa nasceu por proposta das Embaixadas da Grã-Bretanha e da Itália junto da Santa Sé e foi realizada em conjunto com o Vaticano.

O apelo conjunto assinado pelos líderes religiosos foi entregue a Alok Kumar Sharma, presidente designado da COP26, e a Luigi Di Maio, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália.

A mudança climática é uma ameaça grave. No interesse da justiça e da imparcialidade, defendemos ações climáticas comuns, mas diferenciadas, a todos os níveis, desde mudanças comportamentais individuais até processos de tomada de decisão política de alto nível”.

Os signatários do apelo, entre eles o Papa Francisco, pedem que se limite o aumento da temperatura média global a 1,5 graus celsius acima dos níveis pré-industriais.

“Para atingir essas metas do Acordo de Paris, a COP26 deve oferecer ações ambiciosas de curto prazo de todas as nações com responsabilidades diferenciadas. Há também uma necessidade urgente de realizar ações para cumprir seus compromissos de médio e longo prazo”, pode ler-se.

O documento fala num “desafio moral” para a humanidade, destacando que a crise climática “afeta os mais pobres, especialmente mulheres e crianças nos países mais vulneráveis”.

Os danos ao meio ambiente são resultado, em parte, da tendência predatória de ver o mundo natural como algo a ser explorado sem levar em conta o quanto a sobrevivência depende da biodiversidade e da manutenção da saúde dos ecossistemas planetários e locais”.

O texto, enviado à Agência ECCLESIA, propõe uma “transição para uma economia de energia limpa”, desafiando instituições financeiras, bancos e investidores a adotar “financiamentos responsáveis para investimentos que tenham impactos positivos nas pessoas e no planeta”.

Os responsáveis religiosos assumem o objetivo de sensibilizar a opinião pública para a “mudança de rumo necessária”, apresentando vários compromissos para as próprias comunidades e instituições.

Entre as prioridades, estão a promoção de ações para reduzir as emissões de carbono, promover a redução do risco de desastres, melhorar a gestão de resíduos, conservar água e energia, desenvolver energia renovável, fornecer espaços verdes abertos, conservar áreas costeiras, prevenir o desmatamento e restaurar florestas.

Os compromissos passam ainda por investimentos financeiros com “padrões ambiental e socialmente responsáveis”.

Oremos para que a nossa família humana possa unir-se para salvar a nossa casa comum antes que seja tarde demais. As gerações futuras nunca nos perdoarão se desperdiçarmos esta oportunidade preciosa”, conclui o apelo.

OC

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