Responsável pelo setor da Educação Cristã na Arquidiocese de Braga diz que não compete à Igreja julgar as realidades familiares hoje, mas «adequar as propostas catequéticas»

Braga, 10 set 2020 (Ecclesia) – O padre Luís Miguel Rodrigues, especialista em Catequese, afirma que o novo Diretório do Vaticano para o setor muda a perspetiva sobre a evangelização, dirigindo-se a “quem procura” e não apenas a “quem crê”, convidando a iniciar a relação da fé na comunidade.

“A operacionalização que o directório (indica) deriva da descolarização da catequese. Se eu tenho uma catequese que é uma vivência comunitária, na medida em que o catequizando e os seus encarregados de educação são chamados a viver na comunidade, eu adequo o itinerário catequético ao que é a vida da comunidade e às possibilidades que a criança tem”, indica o responsável pelo setor da Educação Cristã da Arquidiocese de Braga à Agência ECCLESIA.

Dirigir-se a quem procura e não apenas a quem crê, é uma mudança de perspetiva presente no Directório, assinala o padre professor da Universidade Católica Portuguesa e convidado esta semana das ‘Conversas Originais – das palavras à ação’.

O padre Luís Rodrigues afirma que o novo diretório é “muito realista” sobre a vida das pessoas e enfatiza que não compete à Igreja “julgar ou catalogar” as realidades familiares hoje mas sim “adequar as propostas catequéticas aos novos cenários familiares”.

“A primeira realidade que aparece é a catequese e família como lugar educativo fundamental, porque é ai que fazemos a primeira experiência de socialização, que fazemos a primeira experiência de amor gratuito, de sermos acolhidos na nossa individualidade; mas também nos diz que devemos fazer catequese na família e com a família. A família tal como nós a entendemos agora é também, sobretudo, um lugar de envio, um lugar onde devemos ir evangelizar e catequizar”, sublinha.

Para o responsável a catequese “tem de deixar de ser vista como um conteúdo a transmitir mas uma relação a iniciar”, devendo ser na comunidade que as relações se concretizam.

“Iniciamos uma relação colocando as pessoas em contacto uma com a outra e tendo lugares e tempos em que elas se encontram. Hoje encontramos Deus na comunidade e nos lugares privilegiados onde ele quis estar: junto dos pobres, perseguidos, doentes, presos, excluídos”, sublinha.

Neste processo de relação, o catequista seria o “descodificador” que “explica” e dá “razões de fé”.

“Temos de pegar em tudo o que fazemos e explicar: Porque é que há um grupo de pessoas que se encontram, rezam e procuram angariar bens para levar às pessoas da paróquia que não tem? Porquê? Por uma mera filantropia ou porque percebem que não podem amar a Deus sabendo que há irmão aos seu lado que não têm suficiente para viver com dignidade?”, exemplifica.

Entender a evangelização como uma proposta de relação e de experiência, “permite solucionar muitos problemas”.

“Quando uma mãe embala uma criança, o que lhe diz é apenas ‘ohohoh’, porque o essencial não é o que diz mas a relação que se estabelece, e nós somos capazes de nos amar como comunidade e viver em alegria se redescobrirmos, constantemente, que somos capazes de ‘primeirar’ a verdade e as consequências do querigma, do anúncio”, enfatiza.

O cónego Luís Miguel Rodrigues é o convidado desta semana das «Conversas Originais – das palavras à ação», transmitidas e publicadas online, às 17h00, e do programa Ecclesia na rádio Antena 1, pelas 22h45.

LS

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