Era um sonho de muito anos e que se concretiza agora: a Universidade Católica vai ser a primeira instituição não-estatal a oferecer uma licenciatura em Medicina em Portugal. Um ano depois de ter ‘chumbado’ a primeira proposta, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior aprovou o novo curso. A decisão leva a Renascença e a ECCLESIA à conversa com o diretor da Faculdade de Medicina da Católica, o médico António Almeida.

Entrevista conduzida por Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

Fotos: Joana Gonçalves/RR

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Como é que recebeu a notícia da aprovação do novo curso?

Como deve imaginar, com imensa alegria. Tínhamos feito um pedido para a acreditação já o ano passado, o pedido não passou, por várias razões técnicas, repetimos o pedido com aperfeiçoamentos, com novas propostas, indo de encontro às sugestões da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), e também da Ordem dos médicos, e esta foi a proposta que foi aprovada este ano. A aprovação encheu-nos de uma enorme alegria, mas também de enorme sentido de responsabilidade, não só por sermos a primeira instituição não estatal a ter um curso de medicina, como pela responsabilidade inerente de termos de formar médicos, uma responsabilidade perante os nossos futuros alunos, e perante o público, por irmos formar pessoas para servir a sociedade e para poder ajudar na medicina em Portugal.

 

Apesar desta “luz verde” oficial, a ‘Plataforma para a Formação Médica’ – que reúne a Ordem dos Médicos, o Conselho de Escolas Médicas e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina – lamentou a aprovação do curso, considerando que houve “pressão política”, e que esta decisão pode “ameaçar a qualidade da formação médica e dos cuidados de saúde à população”. Como é que reage a estas críticas?

Acho que tenho de esclarecer como é que é o processo de acreditação. A A3ES é uma agência estatal independente, que faz a acreditação de todos os cursos superiores em Portugal, e como tal tem de pedir a peritos, dentro de cada área, para avaliarem os pedidos que são submetidos. Nós tivemos peritos na área da medicina, peritos em educação médica, nacionais e internacionais – não será nenhum segredo, um deles foi o professor José Ponte, que foi o diretor da Faculdade de Medicina do Algarve, e houve mais dois peritos internacionais que avaliaram a nossa proposta. Esta aprovação foi  feita com base nessa avaliação. É uma avaliação técnica, que olha para o currículo, para os docentes, para a instituição clínica, que é o Grupo Luz Saúde e para todo o programa de ensino que temos, portanto, por mais que tenha havido muita pressão e vontade política para que isto acontecesse, esta comissão de avaliação – que eu acredito seja isenta, porque dois dos membros eram estrangeiros e não tinham nenhum interesse em que isto acontecesse, do ponto de vista político – fez uma avaliação técnica e aprovou o curso.

 

Mas, efetivamente o processo não foi isento de tensões e críticas. A Plataforma critica o “aumento do número de alunos do ensino pré-graduado”, sem que se tenha olhado para as necessidades do país a longo prazo, em termos de recursos humanos. Vê fundamento nestas observações e preocupações?

Nós como faculdade, como instituição de ensino, temos exatamente a mesma preocupação que tem a Ordem dos Médicos e o Concelho de Escolas Médicas, que é que os médicos tenham emprego. E temos a mesma preocupação que qualquer instituição de ensino tem, de que os nossos alunos estejam preparados para a sua vida profissional, que consigam prosseguir as suas carreiras como desejam e que tenham as melhores armas para enfrentar o mundo profissional no qual se vão inserir. Agora, o que não podemos esquecer é que vamos formar 100 alunos por ano, inseridos num universo de 1800 alunos que são formados em Portugal por ano, vamos ser uma pequena percentagem…

 

Portanto, haver mais 100 alunos por ano em medicina não agrava as dificuldades que já existiam no acesso ao internato?

Custa-me a acreditar que mais 100 alunos vão inundar o mercado. Em segundo lugar – e acho que isto também é um dado muito importante – nós temos pelo menos 400 alunos por ano que vão estudar Medicina no estrangeiro, em Espanha, República Checa, etc. Desses 400 imagino que 100 quererão ficar em Portugal. De resto, todos os alunos e pais de alunos com quem tenho tido contacto ao longo de muitos anos, e sobretudo agora, manifestam o desejo de que os filhos fiquem em Portugal. O que eu acho que muito provavelmente vai acontecer a nível de números é que dos que se candidatam de fora, em vez de serem 400 serão 300, e 100 virão da Universidade Católica. Não acredito que os 100 alunos por ano vão inundar o mercado, da mesma maneira que também não posso ter a pretensão de que esses 100 alunos vão resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O que os nossos 100 alunos vão fazer, o que nos propomos fazer é dar uma educação de excelência, preparar médicos bem formados para a sua profissão, e poder alargar o leque de escolha de estudos em Portugal. Esta é a nossa intenção, mais do que uma intenção macro, a longo prazo, de resolver problemas de natureza demográfica em Portugal.

 

Foto: Joana Gonçalves/RR

Vamos então falar do futuro. Fazia mesmo falta esta nova licenciatura em Medicina em Portugal?

Tudo o que seja uma nova proposta educacional, que possa trazer novo sangue, novidade, é bom para o mundo da educação, e isto vale tanto para a Medicina como para o Direito ou para a Economia. Vimos o que aconteceu com os estudos de Economia em Portugal: a Católica entrou em cena, há bastantes anos, e isso foi benéfico para todos, não só para a UCP. Vemos a projeção da Universidade Nova, com a Nova Business School. Eu acredito que o novo curso de Medicina vai trazer isto, vai trazer uma qualidade de ensino não só para a Universidade Católica, para a Faculdade de Medicina, como para todas as outras faculdades. A nossa atitude é uma atitude muito colaborante. Queremos colaborar, tanto nacional como internacionalmente, e melhorar a qualidade do ensino da medicina em Portugal, contribuir para a medicina de Portugal, portanto acho que nesse aspeto o curso era necessário, não só o nosso, como outro curso qualquer.

 

E o que é que este curso tem de novo em relação aos que já existem? Em termos de metodologia, de currículo, vai ser muito diferente dos cursos tradicionais?

Vai ser bastante diferente. Não tenho a pretensão de dizer que vamos ser os únicos em Portugal, o curso da Universidade do Minho já tem muitas características semelhantes às que vamos implementar, e os outros cursos também usam métodos semelhantes ao nosso. O que nós nos propomos implementar é um curso com novos métodos de ensino, modernos, muito centrados no aluno, métodos em que o aluno é encorajado a ir procurar, a estudar por ele próprio, e não ter um método de aprendizagem passivo, que tradicionalmente se usava em todas as universidades, de ir a palestras e depois estudar em casa. Os alunos vão aprender através da resolução de problemas, através da discussão em grupos e da investigação guiada. O segunda aspeto importante é que os alunos vão ter treino clínico desde o primeiro ano.

 

Será um curso mais prático, é isso?

Será muito prático. Todos as competências que apreciamos nos clínicos e que julgamos importantes – a comunicação, a empatia, a capacidade de ligação com o doente – vão ser estimuladas desde o primeiro ano. No primeiro e no segundo ano vão ter aulas de comunicação, com treinos práticos com doentes simulados, vão ter treinos simulados com manequins, com modelos, para poderem aprender a lidar com doentes, e no terceiro ano já vão ter contacto com doentes reais no Hospital da Luz Oeiras, onde vão fazer uma consulta semanal gravada, que depois podem ver, ver-se uns aos outros, avaliar-se uns aos outros e ser avaliados pelo tutor. Depois, nos anos clínicos vamos ter um rácio muito pequeno de alunos por médico, vamos ter um a dois alunos por equipa médica, o que quer dizer que os alunos durante os estágios clínicos vão estar inseridos, fazer parte das equipas, do trabalho do dia a dia, e não ser somente observadores. Vão estar bem acompanhados, vão ter muita atenção dos tutores, dos médicos, e vão ter um papel muito ativo, o que lhes vai dar muito mais à vontade depois na sua vida profissional.

Outra coisa que nos distingue é que vamos ter uma aposta grande na investigação. Vamos criar um centro de investigação dentro da faculdade, e um semestre inteiro do curso vai ser dedicado à investigação. Os alunos vão ter projetos de investigação – seja laboratorial, clinica ou epidemiológica – que vão poder desenvolver durante esse semestre.

 

Sendo um curso ministrado numa instituição Católica, pretendem marcar a diferença na formação ao nível da ética médica, por exemplo?

É outra vertente diferenciadora muito importante. Naturalmente que a nossa cultura católica como Universidade, a minha própria cultura católica, vai inevitavelmente ser impressa neste curso, e isso para mim é um fator importante e essencial. Não devemos esquecer que uma das grandes missões da Igreja sempre foi cuidar dos doentes, e continua a ser, e esse também é o nosso grande mote para criar este curso. Claro que dentro dos módulos vamos abordar questões éticas, e vamos ter cadeiras específicas de Ética, de Cristianismo, História da Medicina, focando também o contributo que a Igreja católica tem dado ao longo dos séculos para o seu desenvolvimento. E vamos também ter esse cuidado no ensino clínico.

É importante referir que o ensino clínico vai ser no Grupo Luz Saúde, que é um grande grupo hospitalar em Portugal, que todos conhecem, e que tem a qualidade necessária para que este curso possa ser desenvolvido, não só a nível de corpo clínico, docente e de instalações, mas também como cultura de cuidado com os doentes. Temos uma proximidade muito grande com a cultura do Grupo Luz, do cuidado que têm em tratar o doente do princípio ao fim. Basta dizer que é um dos grupos pioneiros em ter unidades de cuidados paliativos e de cuidados neonatais, tem um serviço de maternidade dos maiores do país, com um cuidado maternal e do bebé muito grande, e todos os cuidados que têm em todas as especialidades de Oncologia. Portanto, tem não só uma excelência técnica e clínica enorme, como uma excelência humana muito grande, daí este encontro tão feliz entre a Universidade Católica e o Grupo Luz, para podermos promover o ensino.

 

Para além das competências técnicas é fundamental a um médico ter essa capacidade humana e de relação com os doentes, e às vezes há críticas a esse nível. Acha que há falhas a este nível na formação dada até agora?

Eu acho que essas falhas são um bocadinho inevitáveis, com a pressão que temos no dia a dia. Não são falhas que sejam intencionais, eu próprio as notei durante a minha formação, mas acho que quanto mais conseguimos introduzir os alunos nas equipas, e ter um rácio aluno/tutor menor, de maneira a haver tempo e espaço para os alunos conseguiram estar com os doentes, melhor. Como se vê no Grupo Luz, onde eu trabalho, onde o espaço que nos é dado como médicos para estar e comunicar com os doentes, não havendo constantes pressões de tempo, é um fator que promove muito a humanidade, o contacto e a empatia que se pode ter com o doente.

 

Tem falado sistematicamente nos doentes, e às vezes a ideia com que se fica é que os médicos são treinados para tratar a doença. Há uma formação excessivamente técnica, que esquece que diante do médico está não só uma pessoa com uma doença, mas uma pessoa no seu todo?

Acho que isso é fundamental, e um dos grandes focos do curso é ensinar o que é que é ser médico. Não nos podemos esquecer que vivemos do século XXI, com uma fonte de informação inesgotável, com uma facilidade de acesso a informação, portanto, o que é que eu tenho de ensinar aos alunos? Primeiro, onde é que vão buscar a informação certa e como é que reconhecem os padrões das doenças nas pessoas. Uma pessoa que tenha tosse e febre normalmente tem uma infeção respiratória, sei que isto parece óbvio, mas há outras coisas mais subtis que eles têm de aprender a reconhecer. Mas, hoje em dia quase todos os doentes chegam ao médico já tendo feito análises, há tendo ido ao Dr. Google, já tendo praticamente uma resposta técnica, o diagnóstico e o tratamento. Portanto, eu como médico, qual é o meu papel?

Qual é o meu papel? Para além de ter um papel técnico de excelência, de ter de fazer as coisas como deve ser, é um papel de comunicação, de empatia, de conforto, de apoio ao doente. E isto é um papel fundamental do médico, é o que nos distingue, médicos, de um computador, de uma medicina computorizada.

 

Ou de um diagnóstico por algoritmos…

Exato. Isso até pode ser uma ferramenta muito útil para um médico, mas – de todos os médicos que eu vejo – percebo que, cada vez mais, o que o doente quer é ter esse conforto, essa segurança, essa empatia com o médico, alguém que lhe explique, que o console, que o conforte e que o anime. Isso é, no fundo, o que temos de ensinar aos alunos: o médico do século XXI é, como sempre foi e continuará a ser, uma entidade de conforto, de segurança e de apoio.

 

Foto: Joana Gonçalves/RR

No estudo desta área, haverá também uma reflexão especial sobre temas como, por exemplo, a eutanásia? Sendo certo que o avança da tecnologia permite prolongar a vida em muitos caso, também permite encurtá-la… É necessário que os futuros médicos, os estudantes de Medicina, comecem a pensar sobre estas coisas desde cedo?

Claro. E todas estas questões éticas vão ser abordadas ao longo do curso. É fundamental, como formadores, dar aos alunos as ferramentas para que consigam pensar e abordar estas questões éticas por eles próprios. Não há nada menos construtivo do que impormos uma certa doutrina, mas temos de estimulá-los a pensar nas questões, a olhar para a parte ética, para as opções que existem.

Parece que a eutanásia é a única opção de fim, mas existem muitas outras opções. Toda a rede de cuidados paliativos vem de encontro a isso e devo dizer que, no Hospital da Luz, isso tem sido desenvolvido de uma maneira admirável: pessoas que deixaram de ter esperança conseguem ver que ainda há, mesmo no fim da vida, razões para continuar a viver. Razões para aproveitar esses últimos tempos.

Todas essas questões têm de ser abordadas diretamente, sem doutrinamento, mas estimulando os alunos a pensar e a decidir por eles próprios, com toda a informação, tudo o que circunda estas questões, para poderem tomar uma decisão informada e não só uma decisão emocional.

 

Este curso vai ser lecionado em inglês. É de esperar que haja vários alunos estrangeiros que manifestem interesse em fazer a sua formação aqui. Já há previsões?

Está previsto e penso que isso será até uma fonte de riqueza poder ter este intercâmbio cultural. Vivemos num mundo muito pequeno.

 

Há já alguma expectativa de qual poderá ser a percentagem de alunos estrangeiros?

Nós vamos ter candidaturas que vão ser avaliadas de acordo com a excelência académica – notas do final do secundário – e entrevistas. Vamos ter um método de seleção igual ao nacional, de acordo com as notas do secundário, mas também personalizado, com entrevistas, currículos, em que é possível selecionar mais finamente, digamos assim, os candidatos. Imagino que também teremos candidatos de fora, Portugal é um país cada vez mais popular a nível da emigração estudantil e isso será muito bem-vindo.

A razão principal pela qual o curso é em inglês prende-se, além da parceira que temos com a Univerisdade de Maastricht (Holanda) – que tem este curso implementado há bastantes anos, com muito sucesso, com muita satisfação dos alunos, tanto enquanto alunos como enquanto profissionais -, é que a língua franca da medicina é o inglês. Todos os congressos médicos, excetuando os mais pequenos, nacionais, são em inglês. Todas as publicações médicas importantes são em inglês, pelo que esta língua acaba por ser uma ferramenta muito importante para um médico, como tal.

Mas há que não esquecer que ninguém que não saiba falar português poderá ir ver doentes. Nós estamos em Portugal, os nossos doentes falam português, portanto, todos os estrangeiros que venham e não saibam falar a língua terão aulas de português, para que no 3.º ano possam falar com os doentes.

 

O corpo docente já está garantido? Haverá professores a vir do estrangeiro?

Na parceria com Maastricht temos previsto pelo menos um docente por bloco, por unidade curricular, que virá dar apoio durante a mesma. Mas a maioria dos docentes será portuguesa, temos alguns docentes portugueses que estão no estrangeiro, com desejo de voltar, e que são já cientistas de renome, pelo que teremos muito gosto em poder combinar com eles esse eventual regresso. Temos muitos portugueses, cientistas e médicos.

Os médicos, principalmente, são do Grupo Luz, que tem um corpo clínico de excelência. Foi uma das grandes razões do sucesso desta proposta de acreditação.

 

Vão trabalhar em parceria com o Grupo Luz Saúde e com o Hospital Beatriz Ângelo, de Loures, que é uma PPP (parceria público privada) gerida pelo Grupo Luz.

Sim, nós temos três entidades de saúde… quatro. O Grupo Luz, o Hospital Beatriz Ângelo, acordos com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo – porque reconhecemos que os Centros de Saúde do Estado fazem algumas coisas que os Centros de Saúde no Grupo Luz não fazem, como programas de vacinação, etc. – e com a União das Misericórdias, que tem muitas unidades de saúde, sobretudo de cuidados continuados, reabilitação, o que é uma grande mais valia para o nosso curso.

 

No caso do Hospital de Loures, há possibilidade de o Estado não renovar a PPP. Isso implicará depois alguma alteração? Convém que o curso mantenha alguma ligação com um Hospital do Serviço Nacional de Saúde? Há um plano B?

O nosso plano A é o Hospital de Loures e mesmo que a PPP não seja renovada, o acordo que temos é para manter. Se a nova administração assim o aceitar, nós iremos mantê-lo.

Gostaria de ressalvar que o hospital Beatriz Ângelo é um hospital associado do projeto. O hospital universitário é o Hospital da Luz Lisboa, porque é o único que tem as condições para tal. Em 2018 foi emitido um decreto-lei que determina todos os requisitos de um hospital universitário, desde corpo docente a publicações, investigação clínica, etc.

O Hospital da Luz Lisboa cumpre todos esses requisitos. Para além disso, duplicou recentemente a sua capacidade, tornou-se um hospital de 450 camas, com todas as especialidades – excetuando a transplantação, que é realizada só no Estado, mas que não é uma especialidade essencial para um aluno de Medicina -, incluindo hematologia, como eu, neurocirurgia, portanto, especialidades bastante focadas e de nicho.

Tem ainda um centro de simulação que está entre os maiores da Europa, no qual médicos e alunos podem ir treinar, antes dos doentes. A simulação tem sido algo criticada, mas acho que é essencial um doente sentir a segurança de que quem vai lá colher sangue, fazer um procedimento, já treinou em algo que não esteve a sofrer. O centro de simulação vai ser muito importante, também, para a formação dos médicos. Tem condições excelentes para os alunos, anfiteatros, está verdadeiramente preparado para ser um hospital universitário e também é com base nessas condições que este projeto foi aceite.

 

A abertura do curso está a ser apontada para 2021/2022?

Sim. Durante este ano letivo, de 20/21, vamos estar a preparar o edifício universitário, no Campus de Sintra, onde era já a Faculdade de Engenharia da UCP. É um edifício com 8500 metros quadrados.

 

Basicamente, é só adaptar?

Exatamente, adaptar e renovar um bocadinho. Já tem anfiteatros, precisamos de pôr um teatro anatómico, etc. Vamos fazer isso, vamos acabar de fazer o currículo, mas já fizemos muito trabalho até agora, a nível de preparação do currículo, de ensino de docentes… Todos os nossos docentes vão ser formados em ensino médico, antes de ingressar no curso, não vamos ter improvisos, vamos ter docentes formados, a fazer cursos antes de começarem a ensinar.

Queremos estar prontos para abrir candidaturas e abrir as portas em setembro de 2021. Os primeiros alunos que vão ingressar no ensino clínico serão só em 2023 e depois 2024, nos estágios.

 

Referiu há pouco 100 alunos por ano, mas no primeiro ano haverá só 50.

Isso foi um dos pedidos que nos foi feito, não me parece irrazoável, um curso novo, com todas as suas contingências, acho natural que se queira começar devagar. Com menos alunos, há mais tempo, mais atenção aos mesmos, pelo que acolhemos essa sugestão e até nos parece razoável começar assim.

 

Como médico hematologista, vai continuar ligado ao Hospital da Luz, nesta especialidade, e também ao IPO de Lisboa? Ou vai dedicar-se só à Faculdade?

Não sei se conseguirei abarcar todas as funções, mas a minha função de clínico no Hospital da Luz manter-se-á. Acho que não podemos descurar que a Medicina é uma profissão prática: a atualização é essencial, mas também o contacto e as dificuldades que se têm no dia a dia, é preciso viver para ensinar. Todos nós, médicos, achamos estranho um médico ensinar Medicina sem a praticar, portanto, mesmo que eu tenha de reduzir a minha prática clínica, nunca a vou deixar, porque faz parte integral do ensino da Medicina.

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