Reitor do Seminário de Coimbra caminha em diálogo com a cidade para «acabar com guerrinhas» que «só nos envergonham»

Coimbra, 03 set 2020 (Ecclesia) – O padre Nuno Santos afirma que o tempo de pandemia do Covid-19 que o mundo atravessa está a oferecer a “consciência de fragilidade” e a necessidade de “todos darem as mãos”.

“Este tempo o que nos vai dar é a consciência de fragilidade e de que sempre que não dermos as mãos ficamos mais pobres, mais frágeis; a Igreja e a sociedade quando tentam fazer sozinhas ficam mais frágeis”, explica o reitor do Seminário Maior de Coimbra à Agência ECCLESIA.

Nas «Conversas Originais – das palavras à ação» desta quinta-feira, o padre Nuno Santos alerta para os preconceitos que são necessários ultrapassar reveladores de “falta de inteligência”.

“Somos sempre experiências acumuladas. Se pensarmos na última década, houve quatro grandes crises: na Europa a crise económica começou em 2008, e se prolongou em Portugal, assustadoramente; tivemos depois vários atentados na Europa com o terrorismo: lugares seguros passaram a ser lugares de medo; a crise dos refugiados com fronteiras a fechar e a deixar pessoas de fora, não as reconhecendo como iguais a nós; agora a crise causada pela pandemia. Em 10 anos a Europa e Portugal, enfrentam quatro crises e percebemos que isto não é um acidente. A nossa vida está cheia de fragilidades”, reconhece.

O caminho, preconiza, só pode ser o de encontrar a esperança onde ela já existe e dar as mãos: “Quando a Igreja ou a sociedade se fecham em si é falta de inteligência” porque, acrescenta, onde há relação “há uma esperança” e havendo esperança, “constrói-se um mundo muito grande”.

O Seminário maior de Coimbra procura estar em “diálogo e abertura” à cidade sem excluir ninguém mas afirmando-se em “coerência e conformidade” com o Evangelho.

“O seminário quer apenas ser um lugar de encontro, porque em coerência e conformidade com o evangelho, isto para mim é muito importante, não é possível estabelecer barreiras ou limites à relação”, afirma.

O padre Nuno Santos indica a importância de a Igreja “responder ao mundo de hoje” com a mentalidade de hoje, caso contrário, sublinha, “não é cristianismo”.

“A verdade do Evangelho exige incarnarão, não é possível ser cristão hoje com mentalidade do século passado, é possível, mas não é cristianismo. A praça tem lugar para tradicionalistas, para integristas, para todos, temos é de construir alguma coisa. Posso e devo abrir as portas a muitos olhares e eu acho que a cidade sai enriquecida quando faz isso”, reconhece.

O responsável pede que se deixem “guerrinhas” de lado e se procure construir em conjunto porque o lugar da religião afirma ser o ligar do encontro.

“A cidade constrói-se assim, juntando as pessoas à volta de uma construção comum. O que nos falta é que lutamos uns contra os outros em fez de lutarmos por um mundo melhor. Em fez de lançarmos árvores para que um dia alguém usufrua de um jardim mais bonito, lançar eternidade no quotidiano, andamos em guerrinhas inúteis que só nos podem envergonhar”, finaliza.

O padre Nuno Santos é o convidado esta semana das «Conversas Originais – das palavras à ação», publicadas a cada dia, e do programa Ecclesia na Antena 1 às 22h45.

LS

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