Teresa Paiva Couceiro, da Fundação Gonçalo da Silveira, explica como em pequenos gestos desenvolvidos em projetos educativos se concretizam objetivos do ‘Eco Igrejas Portugal’

Lisboa, 06 jul 2021 (Ecclesia) – A Fundação Gonçalo da Silveira (FGS) está a desenvolver um projeto junto de escolas, onde através da criação de uma Sementeca – uma biblioteca de sementes – procura sensibilizar as crianças para o cuidado com o meio envolvente.

“As crianças fizeram um diagnóstico sobre a natureza na escola, o que pode ser interessante e preservado. Daqui surgiram perguntas sobre cuidar, o porquê de se proteger o ambiente. É um refletir e agir interligado com impacto junto das crianças”, explica à Agência ECCLESIA Teresa Paiva Couceiro, diretora executiva da FGS.

“O exemplo que vemos nos miúdos é um impacto na reutilização: caixas de ovos, de fruta, de cartão podem ser usadas no isolamento, na decoração do espaço interior e exterior e a dada altura já eram as crianças a ter ideias e a envolverem-se no pensar respostas alternativas. Eu acredito que levam para fora”, acrescenta a responsável.

A FGS é uma organização não-governamental para o desenvolvimento, fundada pela Província Portuguesa da Companhia de Jesus, que integra a Rede Cuidar da Casa Comum, uma rede de organizações e pessoas singulares que “procuram uma mudança e um compromisso da humanidade para a forma como se olha e se cuida do mundo”.

Teresa Paiva Couceiro acredita que o trabalho interdependente ajuda a “desconstruir narrativas geradoras de injustiça social”; para que isso aconteça destaca a importância de se procurar “novas fontes de interpretação, novas maneiras de olhar para o sítio onde estamos, ouvir os locais”.

“Mais do que desconstruir narrativas é perceber que a narrativa atual não é a mais indicada, mas geradora de desequilíbrios, de falta de diálogo, construção de muros. A nossa superioridade é um empecilho. Pede-se respeito, humildade e lugar ao outro. Enquanto instituições isso nota-se muito”, lamenta.

A responsável assinala que o ‘Eco Igrejas Portugal’, um memorando de entendimento assinado pelo COPIC, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), a Aliança Evangélica, a ONG ‘A Rocha’ com o objetivo de promoção da ética da sustentabilidade, contida em princípios ecoteológicos, e a aplicação nas diferentes Igrejas e comunidades cristãs de indicadores de diagnóstico, educação e gestão ambiental, para uma melhoria contínua da sustentabilidade ecológica, é uma forma de “coletivamente se desconstruir narrativas”.

“Este é um memorando de esperança, de diálogo entre as Igrejas cristãs. Temos uma génese e procuramos o mesmo: melhorar o mundo. Resulta de um diálogo aberto e franco, que é essencial, pois só assim se consegue construir em conjunto respostas”, valoriza.

Para além dos projetos que desenvolve com parceiros, a FGS procura, dentro de casa, incentivar gestos que começam por ser “individuais mas que refletem o coletivo”.

“Estamos envolvidos num projeto virado para a FGS, um movimento de impacto em cadeia (MIC) que nos ajude a identificar gestos para perceber de que forma podemos chegar ao lixo zero: já não usamos a garrafa de plástico ou o copo, mas de vidro, evitamos usar papel, o que usamos é reciclado”, destaca.

As «Conversas na Ecclesia» desta semana, de segunda a sexta-feira, às 17h00 no site ECCLESIA e às 22h45 no programa de rádio da Antena 1, abordam o memorando ‘Eco Igrejas Portugal’ e os objetivos da Plataforma «Laudato Si», a partir da realidade da ONGD Fundação Gonçalo da Silveira.

LS

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