Irmão José Manuel Duarte, Missionário Comboniano, viveu durante ano e meio junto da guerrilha

Lisboa, 28 out 2021 (Ecclesia) – O irmão José Manuel Duarte, Missionário Comboniano, esteve 13 anos em missão na Colômbia e partilhou com a Agência ECCLESIA o ambiente vivido junto dos grupos armado,s que o fez entender melhor a realidade local.

“Fui para trabalhar na formação dos nossos estudantes mas, no primeiro ano e meio, pedi para fazer uma experiência diretamente no conflito armado, tive essa experiência do Norte da Colômbia, ali é procurar, mais do que tudo, ser uma companhia, não temos o poder de resolver grandes problemas de conflitos mas acompanhar, estar presente com as famílias, e procurar entender o que se está a passar nestes seres humanos que os leva a pegar numa arma e fazer o que fazem”, recorda o religioso.

O irmão José Manuel Duarte referiu que tinha “curiosidade” para perceber aquela realidade porque todos os dias lidava com famílias, vítimas dos conflitos, e tinha de entender as razões.

“Foi uma experiência surpreendente porque descobrir em cada ser humano, que independentemente ser da guerrilha ou militar, tem a a essência de Deus, descobrir isso nessas pessoas foi um desafio para mim”, afirma.

Durante 13 anos na Colômbia o Missionário Comboniano caracteriza a missão como “rica em “muitas histórias e muitas aventuras”, num país com 48 milhões de seres humanos, uma “grande riqueza humana, mas também diversidade cultural e riqueza natural”.

Depois daquele ano e meio junto dos conflitos armados, o irmão José Manuel Duarte conseguia “entender o sofrimento” e propunha um caminho diferente, “de perdão e reconciliação”.

“Nós acreditávamos que fazia falta que pedissem perdão e assim conseguimos começar a fazer vários encontros, várias reuniões com grupos de vítimas, alguns deles feitos até nas nossas próprias casas; no princípio com muita resistência, porque havia muito sofrimento, muita mágoa, a falar de famílias que foram muito muito sacrificadas”, explica.

O religioso aponta que, na realidade atual do país, quando se fala de paz fala-se destes grupos que” já trabalham pela paz da Colômbia” e esse é a grande esperança do país.

Apesar de muito sofrimento e violência a que assistiu o Missionário Comboniano aponta os “momentos muito fortes de alegria”.

“Quando víamos que as pessoas mudavam de grupo, saiam dos grupos armados, quando as vítimas começavam uma vida de reconciliação e conseguiam superar essas dores era uma alegria, este é um povo muito positivo, muito alegre, tem uma história cultural muito rica, de música, de arte, dança e folclore muito rico, então são pessoas com uma resiliência muito própria”, precisa.

Até ao ano 2000 os portugueses na Colômbia eram, no máximo 40, e até se “reuniam através da embaixada”.

“Depois do ano 2000 chegaram muitos portugueses, eram já cerca de dois ou três mil portugueses e sentimos a necessidade de criar a casa portuguesa para ajudar também os que chegavam em serviços e a ser mais fácil a inculturação”, conta.

O irmão José Manuel Duarte lembra que a “Casa Portuguesa hoje é um projeto de solidariedade, apoia muitas necessidades que há nestes bairros da cidade de Bogotá” e os portugueses lá “também são um caso de sucesso de solidariedade e fraternidade”.

Atualmente o religioso encontra-se em Portugal há seis anos, na paróquia de Camarate, em Lisboa, num trabalho de apoio social no bairro social.

As «Conversas na ECCLESIA» desta semana trazem experiências missionárias que pode acompanhar online de segunda a sexta-feira, pelas 17h00.

SN 

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