Assistente pastoral na Missão Católica de Língua Portuguesa da Suíça Central descreve cultura como «uma barreira que dificulta a compreensão do outro»

Lisboa, 07 jun 2021 (Ecclesia) – Marcelo Rebelo é assistente pastoral em cinco comunidades de Língua Portuguesa na Suíça e disse à Agência ECCLESIA que faz parte “deste ponto de encontro” que faz com todos os portugueses e aponta a cultura como barreira para a “compreensão do outro”.

“Acabamos por ser o motivo para as pessoas se encontrarem, o exemplo dos grupos corais, em que as pessoa sentem que é o momento delas, considero que é parte importante da missão que me é confiada, no fundo sentirem que estão na Suíça mas há alguém português que os entende, porque muitas vezes a grande barreira, além da língua, é a cultura, torna difícil compreender o outro”, explica o teólogo.

Marcelo Rebelo faz equipa com o responsável da Missão Católica de Língua Portuguesa da Suíça Central, o padre Aloísio Araújo”, e chegam a muitos portugueses “de primeira geração” mas também já a filhos e netos dos que emigraram há 20 e 30 anos.

“As crianças por exemplo têm aulas de religião na escola, em Alemão, mas aqui é perceber a cultura e rezar em português”, destaca.

Com a pandemia tornaram-se difíceis os encontros e a impossibilidade das deslocações, mais tarde, fez com que houvesse as transmissões online. 

“Tivemos várias fases de controlo da pandemia, não conseguimos celebrar, tivemos de transmitir online, depois houve outra fase com um terço das pessoas, onde os coros não podem ainda cantar, foi difícil mas tentámos acompanhar as comunidades”, relata.

Marcelo Rebelo tem um “gosto especial” pela música, nomeadamente toca órgão e anima os coros das eucaristias, atividades que ficaram suspensas.

“Nas últimas transmissões online não se podia cantar, então decidi animar a eucaristia tocando o órgão, pensava vou tocar esta ou aquela música porque as pessoas conhecem e as pessoas vieram-me dizer isso, foi gratificante”, conta.

Uma das diferenças que Marcelo sentiu na Igreja suíça são as condições dadas, “muito diferentes”.

“Nesta parte alemã temos o imposto religioso, a Igreja tem a parte pastoral e a parte administrativa, além de termos cantões trabalhamos também com dioceses diferentes e é interessante ver que é diferente, ser missionário implica viver nestas diferenças e aprender com elas”, explica.

O assistente pastoral faz esta ponte com as cinco comunidades, organiza as catequeses, os grupos corais e ainda vai dinamizando o sítio online da Missão.

As «Conversas na Ecclesia» desta semana vão ao encontro das comunidades católicas de língua portuguesa, em diferentes países, percebendo as várias realidades e os efeitos da pandemia, de segunda a sexta-feira, às 17h00 no site ECCLESIA e às 22h45 no programa de rádio da Antena 1.

SN

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