Hugo Lucas, psicólogo clínico do Instituto de São João de Deus, destaca impacto de imprevisibilidade da pandemia

Lisboa, 23 nov 2020 (Ecclesia) – Hugo Lucas, psicólogo clínico do Instituto de São João de Deus (ISJD), disse à Agência ECCLESIA que é preciso “educar” as pessoas para a preparação da sua própria morte, ajudando também os familiares nos processos de luto.

“Se estivéssemos, de algum modo mais consciencializados para a importância de reconhecer que a morte é parte da vida, certamente teríamos um papel mais participativo no que é essa etapa”, refere o convidado desta semana nas ‘Conversas do Silêncio’, que decorrem ao longo de novembro.

Ao longo das últimas décadas, recorda o especialista no acompanhamento de pessoas em luto pela perda de familiares e amigos, a morte tem sido “muito medicalizada, muito hospitalizada”.

“Perdeu-se a dimensão associada à sua vivência no contexto familiar, que acontecia outrora, de forma muito marcada”, acrescenta, recordando as atuais restrições nos contactos sociais e nas visitas aos doentes.

O psicólogo clínico admite que persiste o impacto cultural “negativo” associado a uma preparação do próprio funeral.

“O impacto deveria ser: como é que eu nunca parei para pensar sobre isto, no papel que posso ter?”, questiona.

A atual pandemia, observa Hugo Lucas, exige uma abordagem “psicoeducacional”, com famílias e doentes.

“É algo que era previsível, no nosso mundo individual, não existia no nosso horizonte”, assinala.

Após meses de notícias e contacto com a Covid-19, muitas pessoas começam a falar da possibilidade da morte, “numa aprendizagem” do que é mais significativo.

“A morte pode ser trabalhada, preparada, do ponto de vista de escolhas pessoais, até do ponto de vista das diretivas antecipadas de vontade”, precisa o entrevistado.

O psicólogo clínico lamenta a confusão que se estabelece no debate sobre as decisões terapêuticas que as equipas médicas têm de tomar, por vezes fruto de uma “má prática” que ignora os limites na atuação.

No mês de novembro a Agência ECCLESIA apresenta as ‘Conversas do Silêncio’, publicadas online pelas 17h00 e emitidas no programa Ecclesia, na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, de segunda a sexta-feira.

OC

 

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