Missionária em Espanha fala das «sedes que os jovens não conseguem identificar»

Lisboa, 19 out 2020 (Ecclesia) – Rita Borges, dos Servidores do Evangelho da Misericórdia de Deus, é missionária numa cidade universitária, em Espanha, onde considera que os jovens “têm sedes que não conseguem identificar”, como contou à Agência ECCLESIA. 

“A sede maior que percebo nos jovens eu creio que, muitas vezes, é o ser preciso despertar sedes, às vezes não as sabem nomear ou identificar, as sedes que têm ocupam com experiências, sejam viagens, um desporto radical, compras e depois, até, de drogas ou álcool, experiências novas que é difícil encontrar-lhes a sede”, explica. 

A missionária, depois de ter passado por várias cidades de Espanha ao longo de mais de 20 anos, encontra-se em Alcalá de Henares há três anos, uma cidade a 30 km de Madrid, pequena e universitária, onde a missão diária é o acompanhamento aos jovens.

“Primeiro é tentar conhecê-los e ser seus amigos, Espanha tem uma realidade concreta que há gente muito cristã, e os jovens cada vez mais, mas outros muito “anti fé”, experiências de rejeição a tudo que vem da Igreja Católica, por isso há que conhecer e desmontar os preconceitos mostrar um rosto de Igreja acolhedor, diferente dos preconceitos que têm”, refere.

Rita Borges conta, que antes da pandemia, “era possível montar no átrio da universidade um pequeno mercado solidário com artesanato”, que despertava o interesse dos jovens, e ali era o “local para perceber os desejos de vida e se havia portas abertas para o diálogo”.

A consagrada entende que a “Europa é cada vez mais uma terra de missão” e que “precisa de missionários”, que se atrevam a dizer sim, “apesar dos medos no inicio, é ali que se encontra a vida”.

Na conversa com a ECCLESIA a entrevistada falou ainda do acompanhamento aos jovens que depois são encaminhados para a oração, retiros ou momentos de voluntariado, “criar espaços para que se encontrem consigo e com Deus”. 

“Tentamos responder às necessidades de cada um através de acompanhamento que trata a  dimensão humana e dimensão de fé; sentimos que há sede de justiça e de conhecer, temos por exemplo uma proposta de ir a um centro de refugiado connosco”, destaca.

Rita Borges confessou ainda que tinha muitos medos quando se consagrou mas todos os sonhos de “querer mudar o mundo”.

“Sinto que tenho uma vida encontrada, eu tinha muito medo aos 20 anos de chegar aos 80 anos e não ter valido a pena a minha vida e, se morrer amanhã, sinto que valeu a pena, vida que não é para mim mas vivo em função dos outros”, assume.

No mês de outubro missionário, assim designado pela Igreja Católica, a Agência ECCLESIA apresenta as «Conversas Além-fronteiras», que trazem a missão desenvolvida em diferentes pontos do mundo; serão transmitidas e publicadas online, às 17h00, e no programa Ecclesia, na rádio Antena 1, pelas 22h45.

SN

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