Espanha: Papa pede aposta no apoio aos mais pobres e frágeis da sociedade

Leão XIV visitou Centro da Cáritas dedicado à população sem-abrigo em Madrid 

Foto: Vatican Media

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA a Madrid

Madrid, 06 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa visitou hoje o projeto social ‘Cedia 24 Horas’ na capital espanhola, alertando para o perigo de substituir o Evangelho por ideologias políticas no exercício da caridade.

​“Observar que o exercício da caridade é desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixação somente de alguns e não o núcleo incandescente da missão eclesial, faz-me pensar que é preciso ler novamente o Evangelho, para não se correr o risco de o substituir pela mentalidade mundana”, afirmou Leão XIV.

Citando a sua exortação apostólica ‘Dilexi Te’, o Papa alertou para “atitudes marcadas por ideologias mundanas ou por orientações políticas e económicas que levam a injustas generalizações e a conclusões enganadoras” sobre os mais pobres.

​O pontífice escutou os testemunhos de utentes e voluntários da estrutura gerida pela arquidiocese de Madrid, exigindo um compromisso renovado com os marginalizados.

​“Se não quisermos sair da corrente viva da Igreja que brota do Evangelho e fecunda cada momento histórico, não podemos esquecer os pobres”, sublinhou.

​A intervenção destacou as histórias de Niurka, proveniente de Cuba, de Khadry, natural do Senegal, e da voluntária espanhola Alicia.

​Niurka partilhou ter chegado sozinha e grávida a Espanha, encontrando refúgio nas instituições da Igreja, onde nasceram os seus dois filhos.

​“Graças às religiosas, às pessoas voluntárias e às educadoras que me acompanharam cada dia, aprendi que não estava só”, testemunhou a jovem advogada.

​Khadry recordou a sua chegada em plena pandemia, confessando que se sentia perdido e solitário antes de ser acolhido.

​“Encontrei pessoas que me acolheram sem me perguntarem nada, que me olharam com respeito e me fizeram sentir que a minha vida importava”, partilhou o migrante senegalês.

​A voluntária Alicia entregou a Leão XIV um par de sandálias para evocar a passagem bíblica da sarça ardente e o respeito sagrado por quem sofre.

​“Acompanhar é para nós uma forma concreta de anunciar o Evangelho: estar perto, escutar, cuidar e reconhecer a dignidade sagrada de cada pessoa”, indicou a colaboradora.

​O Papa recebeu ainda uma fita de recém-nascido e uma réplica de uma autorização de residência, interpretando os objetos como sinais do esforço, da honestidade e do acolhimento.

​“A sandália evoca a terra sagrada que somos obrigados a respeitar em toda a existência humana”, explicou Leão XIV.

​O discurso recuperou o lema da viagem a Espanha, ‘Levantai os olhos’, para recordar que a caridade cristã não admite demoras ou adiamentos.

​“Um coração vivo é quente e palpitante, e dá vida, um coração frio está imóvel, já não bombeia sangue, e provoca a morte da pessoa”, advertiu o pontífice.

​A reflexão exigiu que a ajuda social se traduza num verdadeiro encontro entre irmãos, recordando os apelos do Papa Francisco para que se olhe nos olhos daqueles que pedem esmola.

​“Também eu estou entre vós como mais um madrileno, obrigado, Madrid, por esta receção, que me faz sentir parte de uma grande e maravilhosa família”, agradeceu o Papa no arranque do encontro.

Foto: Vatican Media

Antes de deixar a Nunciatura na capital espanhola para visitar o projeto social ‘Cedia 24 Horas’ , Leão XIV encontrou-se com um grupo de cerca de 40 pessoas com deficiência e doentes, acompanhados por várias organizações caritativas católicas e pela Arquidiocese de Madrid.

“O Papa dirigiu-lhes algumas palavras e, antes de os cumprimentar individualmente, rezou o Pai Nosso juntamente com eles”, informou o Vaticano numa nota enviada aos jornalistas.

OC/LJ

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