Irmã Mafalda Moniz fala da missão que lhe «está no coração»

Lisboa, 13 out 2020 (Ecclesia) – A irmã Mafalda Moniz, missionária Dominicana do Rosário, esteve em missão em Moçambique e disse à Agência ECCLESIA que é um país que lhe “está no coração”, onde a alegria do povo “ajuda a vencer as muitas dificuldades”.

“O que mais me apaixona são as pessoas que fazem horas de caminho, vão de canoa ou a pé mas com uma sede de Deus, fazem estes percursos para se encontrar, para nos encontrarmos, é uma Igreja viva de pessoas muito alegres; as crianças podem estar esfarrapadas mas têm um grande alegria e uma alegria que ajuda a vencer as dificuldades”, explica. 

De passagem por Lisboa, devido à pandemia, a religiosa espera voltar em breve àquele país onde chegou aos 21 anos e professou os seus primeiros votos. 

Como assistente social a irmã Mafalda Moniz acredita na formação, educação e promoção da mulher, fatores que podem ser “motores de transformação”. 

“Trabalhamos muito nas áreas da promoção da mulher e educação; achamos mais importante do que estar a prestar assistência é apostar para que sejam motores de transformação; eu estava na Zambézia, num bairro de periferia num centro social, onde nos dedicamos à promoção da mulher, alfabetização de adultos e depois também na área da saúde, porque as pessoas vivem em extrema pobreza e o acesso à saúde não é fácil”, assume.

A missionária contou que ainda faziam “mediação entre a população e os centros de saúde e hospitais” e tinham um projeto em que apoiavam as mães, designava-se “projeto do leite”, que pretendia que as mães trabalhando conseguissem dar uma vida com dignidade aos seus filhos.

Outra área que a religiosa destaca foi a criação de uma biblioteca, uma vez que é tão difícil o acesso à educação. 

“Uma das áreas que desenvolvi lá é uma biblioteca que criámos, lá não há acesso a livros; as pessoas não têm capacidade financeira para comprar livros e o acesso a bibliotecas não é fácil, temos ainda o apoio escolar para colmatar lacunas porque há turmas com 100 ou 120 alunos e é muito difícil o acesso à educação”, sublinha.

A irmã era muito jovem quando sonhou ser missionária “através do exemplo de uma tia missionária também” e era “um pouco rebelde”, sendo movida pela “justiça social”.

“O que me moveu foi a justiça social e depois descobres tanto bem, descobres que és mais pessoa com os outros”, afirma.

Aos 51 anos a irmã Mafalda Moniz “voltaria a por os pés a caminho” para a missão, em breve irá partir para Moçambique, desta vez para o sul do país, para um bairro muito grande na periferia e não esconde a “ansiedade” de chegar o dia.

No mês de outubro missionário, assim designado pela Igreja Católica, a Agência ECCLESIA apresenta as «Conversas Além-fronteiras», que trazem a missão desenvolvida em diferentes pontos do mundo; serão transmitidas e publicadas online, às 17h00, e no programa Ecclesia, na rádio Antena 1, pelas 22h45.

SN

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