Habitação, educação, igualdade de oportunidades, pobreza são áreas de atuação da Junta de Freguesia que procura o envolvimento político dos seus habitantes na cidade de Lisboa

Lisboa, 28 abr 2021 (Ecclesia) – A Presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, no centro da cidade de Lisboa, afirmou que o poder local é o que está mais próximo da população, representando um “pilar importante” na concretização dos “valores de abril”.

“As Juntas são um pilar muito importante nos valores de abril, nomeadamente no acesso à educação, na igualdade de oportunidades, na habitação. O poder local é mesmo o mais próximo das pessoas porque mais nenhum entra, como nós, na vida das pessoas”, afirmou à Agência Ecclesia, Carla Madeira, presidente deste órgão executivo local em Lisboa.

A responsável dá como exemplos o acompanhamento dos mais idosos, a sinalização de situações de pobreza ou violência doméstica, a “dificuldade em pagar alguma conta específica” nos agregados familiares, a indicação de negligência de crianças junto das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens ou, fruto da pandemia, providenciar, “em parceria com o agrupamento de escolas, computadores para todas as crianças terem acesso às aulas”.

A completar o segundo mandato neste órgão executivo local, Carla Madeira foca ainda o desafio habitacional, “nunca garantido”, e dá como exemplo as circunstâncias em que a lei do arrendamento “facilitava o despejo” e o aumento de turismo na capital “tornava apetecível o alojamento local”.

“Juntou-se uma lei que facilitava o despejo das pessoas, que felizmente já foi corrigida, e o crescimento do turismo que tornou apetecível transformar as residências em alojamento local. Foi o problema mais grave que encontrei e que resultou na saída abrupta e forçada de pessoas. Eu tinha cerca de 13 mil habitantes e agora tenho 10 mil”, recorda.

Foto: Junta de Freguesia da Misericórdia

A Junta de Freguesia da Misericórdia abrange uma área de 1.11 quilómetros quadrados de extensão e nela vive uma população muito diferenciada, quer em bairros típicos, “que procuram as relações de vizinhança”, como em condomínio fechados, “onde reside uma população à qual quase só se consegue chegar às caixas do correio para colocar o boletim da junta”.

A presidente regista que a participação política não se resume ao dia das eleições, e dá como exemplo o orçamento participativo ou a chamada de atenção para um problema no arruamento ou na segurança dos bairros.

Carla Madeira foca ainda a importância do trabalho em rede, com associações, paróquia e entidades que ajudam a ultrapassar mais rapidamente os problemas e evitam a sobreposição de respostas.

A completar oito anos à frente do poder local, a presidente da Junta de Freguesia assinala que antes do 25 de abril de 1974 “esta entrevista” não aconteceria, pois as mulheres não podiam “aceder a cargos públicos” e, apesar de haver diferença na igualdade de oportunidades, “há caminho a fazer” e “os valores de abril têm de continuar a ser defendidos”.

“A igualdade dos direitos é um caminho que se está afazer. Sabemos que é um processo. Não é à toa que as mulheres presidentes de Junta são uma minoria, é uma conquista que tem de ser continuada e que tem de ser feita pelas gerações, pois está consagrada em teoria mas não na prática. Uma mulher ainda não está ainda em igualdade de oportunidades neste cargo”, lamenta.

As “Conversas na ECCLESIA” desta semana ficam online às 17h00 e apresentam, ao longo desta semana, reflexões e testemunhos sobre o 25 de abril de 1974.

LS

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