D. Jean-Claude Hollerich alerta para emergência de populismos na Europa

Cidade do Vaticano, 04 out 2019 (Ecclesia) – O arcebispo luxemburguês D. Jean-Claude Hollerichs, que vai ser criado cardeal este sábado, disse hoje no Vaticano que os portugueses são “bem-vindos” no Grão-Ducado.

“Os portugueses são sempre bem-vindos, fazem parte da minha Igreja”, assinalou o responsável, em declarações aos jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé.

Os portugueses são a comunidade estrangeira mais numerosa do Luxemburgo, contabilizando, em janeiro de 2019, cerca de 95 mil pessoas – cerca de 15% da população total.

O arcebispo é o atual presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), considerando que o projeto comunitário depende da capacidade de “salvaguardar a democracia”.

“De outra forma os populismos e as suas falsas promessas irão voltar”, alertou.

O futuro cardeal defendeu que a Europa deve ser um “instrumento de paz” e pediu maior atenção ao impacto que a economia europeia produz, em termos ambientais, no resto do mundo.

“Agora vamos ter um Sínodo para a Amazónia. A Europa é muito idealista, mas as finanças da União Europeia, o dinheiro da Europa, onde estão, o que provocam, no mundo?”, questionou.

O responsável católico considerou que existe a tendência de ser “tão neutro”, em termos de religião que esta neutralidade “se torna, ela mesma, uma nova ideologia contra as religiões”:

“Não podemos concordar com isto”, acrescentou.

O arcebispo do Luxemburgo, que passa a representar o país no Colégio Cardinalício, admitiu que ficaria “muito feliz” se o Papa decidisse visitar o território, mas entende que isso não seja uma prioridade de Francisco.

“O Luxemburgo não é exatamente uma periferia. Há muitos outros sítios onde o Papa deverá ir, em primeiro lugar”, declarou.

O novo cardeal, um jesuíta de 61 anos, foi professor de Teologia em Tóquio e foi nomeado arcebispo do Luxemburgo por Bento XVI, em 2011.

OC

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