Missionário Comboniano é jornalista desde 1996 e já passou pelo Bangladesh, o Sudão e as Filipinas, sempre com vontade de «sair da redação para contar histórias de bondade»

Viseu, 17 mai 2021 (Ecclesia) – O missionário comboniano José Rebelo cruza, na sua vida, o ser padre e jornalista em experiências “próximas” que entende mediadoras de Deus, e que a missão é contar histórias de esperança na humanidade.

“O jornalismo missionário, como eu o concebo, deve transmitir essas imagens e experiências, porque nos ajudam a acreditar na humanidade e a não perder a esperança. Este é um enriquecimento para nós em primeiro lugar. Sempre que pude, sai da redação, para ir ver e contar”, explica à Agência ECCLESIA o missionário que colaborou com diversas publicações da imprensa missionária.

Desde 1996 que o padre José Rebelo escreve para diversas publicações: em Portugal para as revistas «Além-Mar» e «Audácia»; para a «World Mission», nas Filipinas, onde colaborou entre 2005 e 2012; e para a «Worldwide», na África do Sul, entre 2013 e 2020.

Nestas publicações o missionário comboniano assinou artigos que contextualizam conflitos, “contam testemunhos de quem viveu e assistiu a atrocidades”, mas mostram também a bondade, “histórias positivas que deveriam ser conhecidas” e que “davam filmes e romances”.

Durante uma semana o padre José Rebelo quis viver com um missionário americano Bob McCahill, hoje com 84 anos, que vive no Bangladesh há cerca de 45 anos, entre muçulmanos e hindus, para ajudar as famílias mais pobres e adquirir cuidados de saúde, em especial para as crianças.

“Só tem um beliche, sem colchões, almofadas; no tempo das chuvas entram todos os animais na sua barraca, não tem luz, não tem frigorifico, sem ventoinha, só um fogareiro onde cozinha vegetais e um pouco de arroz, todos os dias. Tem uma bicicleta chinesa, não tem dinheiro, nem telefone, vive com uns centavos que a família lhe dá, faz quilómetros para encontrar crianças deficientes e as levar ao médico, e às suas famílias. E faz isto para testemunhar o amor de Jesus pelos pobres, mas raramente fala dele porque vive entre hindus e muçulmanos”, conta.

O padre José Rebelo recorda a sua vontade de partilhar com ele alguns dias, quando soube da sua história porque, reconhece, haver um “deficit de testemunhos”.

“Lemos artigos, contam-se histórias, mas falar de pessoas concretas e do que fazem… É preciso ir e estar, sentir na pele como eles vivem, os riscos de correm”, reforça.

No norte do Uganda em 2005, o missionário comboniano conheceu a forma como o Exército de Libertação do Senhor “estava ainda ativo e aterrorizava o povo acholi e as missões”; em Mindanao, no sul das Filipinas, o padre José Rebelo conheceu dois padres missionários italianos, o padre Peter Geremia e o padre Salvatore, que escaparam várias vezes de assassinatos; esteve na Coreia do Sul onde testemunhou o trabalho do padre Vincenzo Bordo com os pobres de Seul e a tensão na zona desmilitarizada; nos campos de refugiados no Sudão do Sul, ou nos Montes Nuba, encontrou vítimas do exército de Cartum, “a quem cortavam as orelhas e o nariz”.

“Há mal no mundo, e somos testemunhas de crueldades, mas há muito bem e os primeiros a conhecer e a beneficiar esses testemunhos, somos nós”, sublinha.

O missionário comboniano reflete sobre a “exigência” do trabalho jornalístico mas dá conta da beleza que essa função apresenta.

“O trabalho jornalístico é muito exigente, mas também muito consolador. Enriquecemos muito por conhecer estes testemunhos, porque me ajudaram a ser uma pessoa melhor, não apenas cristão ou missionário. As verdadeiras histórias ajudam-nos a ser melhores, e por isso vale a pena contá-las e para um público que vai mais além do que vai à Igreja ou tem fé, que nos une na humanidade comum a todos”, destaca.

A partir da mensagem do Papa Francisco para o 55.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «Vem e Verás», as «Conversas na Ecclesia» desta semana vão destacar histórias de jornalistas que «gastam as solas dos sapatos» indo ao encontro das notícias onde elas acontecem e onde as pessoas as podem contar na primeira pessoa, às 17h na Agência ECCLESIA e às 22h45 na Antena 1.

LS

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