Sessão da série «Zaragatoa – Igreja pós-pandemia»  projeta futuro, com o regresso das celebrações comunitárias

Coimbra, 01 jun 2020 (Ecclesia) – O Seminário Maior da Diocese de Coimbra juntou um investigador universitário e um sacerdote Jesuíta numa reflexão sobre ‘Liturgia e a Digitalização’, numa conversa da série ‘Zaragatoa – Igreja pós-pandemia’, transmitida online este domingo, quando regressaram às celebrações presenciais.

“Vamos aprender, vai refletir-se na música que se vai fazer executando, na que se vai compor, o órgão pode ter um papel mais interventivo; os leitores vão ter nova forma de estar, e todos nós, enquanto participantes, enquanto vivendo a liturgia, vamos também ajustar-nos, é um desafio que a Igreja vai construir dia-a-dia, não vejo razões para termos receios”, disse Alberto Seiça, investigador na Universidade Nova de Lisboa, sobre, sobre o pós-pandemia.

Sobre o que é que a liturgia está a aprender com esta pandemia e o que é preciso ser no futuro, o padre Duarte Rosado (Jesuíta) começou por afirmar que sente “saudades de celebrar com muita gente”.

“Acho que não tem diretamente a ver com a pandemia, tem a ver com o Espírito Santo, que me uma coisa maravilhosa para viver a liturgia; O corpo e sangue de Cristo é para que também sejamos corpo de Cristo, dois corpos de Cristo no tempo de Pentecostes, o corpo sacramental e o corpo que é a Igreja; esta fome de Eucaristia pode ser que ajude a renovar o apreço e a profundidade da maneira como vivemos a Eucaristia”, desenvolveu o sacerdote, colaborador no CUM e sócio de mestre de noviços

A Solenidade de Pentecostes 2020 marcou o regresso das celebrações comunitárias das Missas nos templos após a  suspensão das cerimónias com fiéis, decretada a 13 de março, por causa da pandemia de Covid-19.

O investigador Alberto Seiça considera que as redes sociais “ajudaram bastante” a manter a ligação, “o vínculo, a comunhão” mas também foi sentido “um pouco a experiência do deserto”.

“A liturgia é essencial à construção do tecido que somos todos nós, a liturgia é um fator essencial à construção da comunhão, embora não seja o único”, acrescentou.

Para o padre Duarte Rosado vive-se num tempo “demasiado tecnológico, as coisas são demasiado práticas”, e considera necessário “voltar ao simbolismo e aos sinais”, “todos os sacramentos têm sinais sensíveis”, e parece que nos sacramentos, em particular na Eucaristia, “esses sinais sensíveis têm sido quase reduzidos, quase em nome da eficácia, de tornar as coisas mais simples ou escorreitas ou mais fáceis”.

Alberto Seiça, investigador na Universidade Nova de Lisboa, assinala que a Igreja “é grande, está no mundo todo”, e a questão da participação “daria muito mais longas conversas” e explica participação ativa é uma expressão que se tornou “muito uma bandeira na reforma posterior ao Vaticano II embora, embora fosse anterior, entrou nos documentos da Igreja com Pio X”.

“A ideia é antiga. A participação também não é uma coisa que se possa impor, que nasça por decreto, implica uma formação, uma vivência dos mistérios, um crescer”, desenvolveu.

O padre Duarte Rosado, que tem “experiências variáveis em relação a esta participação ativa ou mais passiva”, lembrou a experiência de campos de férias que “é muito bonita de sentir que os miúdos participam”.

“Em relação à Eucaristia é preciso experimentar e depois, também tem as suas limitações: a oração dos fiéis poderia ser um lugar onde, de facto, as pessoas podiam partilhar a oração, ou fazer as que estão no livro e depois abrir à assembleia”, exemplificou.

O Seminário Maior da Diocese de Coimbra começou a dinamizar a série de cinco conversas ‘Zaragatoa – Igreja pós-pandemia, no dia 10 de maio. 

CB

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