Igreja Católica deve ser «exemplo de transparência e de incentivo», numa cultura de verdade

Coimbra, 31 out 2019 (Ecclesia) – A Diocese de Coimbra informa que está numa fase de constituição da sua comissão para a prevenção e gestão dos casos de abusos sexuais na Igreja, num comunicado após o encontro do clero que refletiu sobre esta “problemática”.

Uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, explica que a comissão deve ser um grupo “interdisciplinar, independente e transparente” e deve existir uma “estreita colaboração com autoridades civis e judiciais”, como Polícia Judiciária, Ministério Público e Comissão de Proteção de Crianças e Jovens.

A Comissão do Clero de Coimbra explica que na reflexão sobre a ‘problemática dos abusos sexuais na Igreja’ foram apresentadas “pistas de orientação”, como a necessidade de “despertar as pessoas para este drama na sociedade” e “acompanhar” as vítimas na sua denúncia.

Há “necessidade de capacitar” as crianças e adolescentes para a “autoproteção” e de acompanhar os possíveis agressores e abusadores, “mesmo depois de cumprir as penas canónicas e civis, até para evitar futuras vítimas”.

O encontro desta quarta-feira foi uma iniciativa da Comissão do Clero, em articulação com o bispo diocesano D. Virgílio Antunes, e a reflexão apresentada pelo padre José Maria Brito e pela jornalista Rita Carvalho, do Gabinete de Comunicação da Companhia de Jesus (Jesuítas) em Portugal.

‘O que é considerado um abuso sexual? Qual a realidade da situação na Igreja internacional e nacional? Que desafios? O que fazer se sei de algum caso? O que fazer se for acusado? Que propostas de ação na nossa diocese?’, foram as perguntas num dia “bastante participado, quer no diálogo quer na presença”.

“Foi sublinhado que se trata de uma grande ferida, de um crime e de um pecada que a Igreja não pode ignorar ou escamotear; que a vítima não é a Igreja mas as crianças abusadas que devem sentir a proteção e apoio para ‘contarem a sua história’, libertando-se do pesadelo do silêncio e do sofrimento; que para haver abuso sexual não é preciso haver contacto físico”, desenvolve a Comissão do Clero.

Aos sacerdotes de Coimbra foi explicado que a Igreja Católica deve ser um “exemplo de transparência e de incentivo” na criação de uma nova cultura de verdade, e que “apenas 5% das denúncias são falsas” e muitas pessoas continuam a viver em silêncio o drama dos abusos sexuais.

O Papa Francisco pediu a todas as dioceses católicas que implementem “um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público para apresentar denúncias”, com a carta apostólica ‘Vos estis lux mundi’, de 9 de maio de 2019.

CB/OC

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