Desafio foi lançado pela Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, consciente de que há novas lideranças no setor e que é necessário formar catequistas

Lisboa, 08 jul 2026 (Ecclesia) – Nove responsáveis e membros de secretariados diocesanos de catequese do país estão a frequentar o programa “Master em Evangelização e Catequética”, do Centro Universitário de La Salle, Espanha, que tem a duração de um ano.
Em entrevista ao programa Ecclesia, Ivone Calado, diretora do Secretariado Diocesano de Catequese de Bragança-Miranda, uma das alunas, esclarece que o convite partiu da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, em conjunto com o Secretariado Nacional de Educação Cristã, com o objetivo de formar lideranças de catequistas.
“Eu penso que esta formação tem uma característica muito importante, é que ela é muito abrangente e, sobretudo, muito atual”, refere.
A responsável explica que o programa “passa por todos os assuntos relacionados com a catequese”, não apenas a dedicada à infância e adolescência, mas também aos adultos.
“A catequese familiar, a catecumenal, por exemplo, também o primeiro anúncio tão necessário hoje na nossa realidade eclesial”, desenvolveu.

Também Fátima Castro, coordenadora do Departamento Arquidiocesano da Catequese de Braga, está a frequentar o programa, dando conta que uma das primeiras necessidades que manifestou aos bispos quando assumiu funções foi a instrução para ajudar a formar outros catequistas.
“Já tinha feito alguma formação, tinha feito catequética, há uns anos atrás, fiz acompanhamento de catequistas, estive 15 anos na formação de catequistas, mas depois é preciso uma reciclagem, porque a Igreja não para, não é? E então fiz essa proposta e esse pedido”, indicou.
A primeira catequista instituída em Portugal fala que, na altura, não sabia da intenção da CEECDF e do SNEC, considerando que a iniciativa “veio no tempo certo”.
O programa decorre em aulas online, o que, segundo Fátima Castro, permitiu conciliar com a vida profissional e pastoral, e Ivone Calado salienta que todo ele está pensado para a Igreja dos dias de hoje.
Além de passar por todas as fases da catequese, a formação tem a preocupação de “integrar a parte da psicologia, das relações humanas, do acompanhamento”, relata, incluindo também a “cultura digital” e a forma como hoje se está presente nas redes sociais.
Para Fátima Castro, este programa teve um “impacto positivo” na missão que desenvolve na Arquidiocese de Braga, uma vez que o território está a trabalhar na renovação da catequese.
“Temos várias linhas de ações que queremos trabalhar. A diocese é, de facto, grande. Nós temos 552 paróquias com as suas especificidades, mas depois há pontos que se unem, nomeadamente a catequese dos adultos, que contrariamente a outras dioceses, não temos ainda um plano estruturado a nível diocesano”, apontou.
O programa vai, segundo a responsável, ser uma mais-valia para colmatar os desafios que o setor enfrenta em Braga, até porque, relata, algumas matérias vão “dar o suporte mais teórico” ao que está a ser proposto para a Arquidiocese.
No caso de Bragança-Miranda, Ivone Calado destaca que o território diocesano é muito extenso e que as aprendizagens adquiridas ao longo deste ano vão ser aplicadas na formação de catequistas.
“Dizer que também esta formação teve um impacto muito importante naquilo que é o serviço de catecumenado, que também está integrado no Secretariado Diocesano da Catequese. Ou seja, trouxe-nos aqui uma série de novas perspetivas de como podemos encarar o catecumenado, como ele deve ser implementado, um pouco também aqui ao jeito também da Arquidiocese de Braga”, disse.

A responsável constata que cada vez há mais jovens que chegam à idade adulta sem terem recebido os sacramentos da iniciação cristã e que essa “é uma preocupação que também toca profundamente o coração de todos os secretariados diocesanos”.
“É preciso uma resposta da Igreja a todas estas pessoas e, portanto, é realmente uma grande mais-valia [curso] nesse âmbito”, expressa.
O programa conclui-se com a realização de teses e tanto Fátima Castro como Ivone Calado optaram por abordar o tema da inclusão de crianças com deficiência na catequese.
“Fomos sentindo esta preocupação das famílias, dos catequistas que os acompanham, dos párocos que os acompanham, de não haver um processo formativo de acompanhamento, de espiritualidade que pudesse dar resposta a estas situações”, afirmou a coordenadora do Departamento Arquidiocesano da Catequese de Braga.
Segundo Fátima Castro, o objetivo do trabalho final é criar “um plano de formação, numa primeira fase”, para os agentes de catequese e párocos, e depois, numa segunda fase, “um acompanhamento mais individualizado” de cada um dos casos.
“É preciso uma Igreja que, de facto, acorde e está aberta a esta realidade. E essa é uma primeira condição. Para além disso, nós sentimos que, de facto, este percurso das crianças não pode ser uma catequese de um paternalismo excessivo. ‘Temos uma criança com deficiência e podemos pensá-la de uma forma diferente’. Não, é um caminho de integração, de inclusão e de plenitude”, afirmou, por sua vez, Ivone Calado.
A diretora do Secretariado Diocesano de Catequese de Bragança-Miranda acredita que a tese que está a desenvolver poderá dar “algumas ferramentas” aos catequistas que “os ajudem a partilhar a sua experiência de fé com todas as crianças independentemente da sua condição”.
Além de Fátima Castro e Ivone Calado, o master em “Evangelização e Catequética” teve como alunas Rita Santos, do SNEC, Odete Alves, e Olimpia Mairos, da Diocese de Vila Real, Clara Rodrigues, da Diocese de Beja, Elisabete Alves, da Diocese de Aveiro, Isabel Rosado, da Diocese de Setúbal e a irmã Elizandra Vieira.
LJ/OC
