D. António Moiteiro considera que ser catequista deve ser reconhecido como um «ministério» na Igreja Católica em Portugal

Fotos: Educris

Fátima, 29 out 2018 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé afirmou em Fátima, nas Jornadas Nacionais de Catequese, que é necessário um projeto neste setor que envolva cada vez educadores e educandos.

Em declarações enviadas à Agência ECCLESIA, D. António Moiteiro realçou que a catequese não se pode resumir a “um conjunto de encontros esporádicos” ou de “momentos ocasionais” entre as crianças e adolescentes, jovens e adultos, e os catequistas, mas deve ser cada vez mais um momento “orgânico da própria fé”.

Para isso é essencial que a formação de catequistas tenha em atenção a vivência pessoal de fé dos educadores, como “discípulos que também são”, para que eles a possam transmitir de forma mais efetiva aos outros.

“Anunciando Jesus e vivendo a presença de Jesus ressuscitado no catequista, nós também podemos comunicá-lo aos catequizandos”, salientou D. António Moiteiro.

O presidente da Comissão Episcopal que coordena o setor da Educação Cristã sublinhou ainda a importância de “um acompanhamento personalizado” na fé, “porque só assim é que ela pode crescer na vida de cada um de nós”.

“O Evangelho fala-nos da casa construída na rocha. Então podemos dizer que a catequese é esta rocha sobre a qual se constrói o edifício cristão, ou esta coluna vertebral que faz esta junção de tudo o que nós somos”, completou.

As Jornadas Nacionais de Catequese aconteceram no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, entre os dias 26 e 28 de outubro, dedicadas ao tema “Ser Catequista Hoje: As Dimensões da Formação”.

Destinada a catequistas de todo o país, as Jornadas Nacionais de Catequese marcaram o encerramento da Semana Nacional da Educação Cristã, tendo como pano de fundo também a carta pastoral que os bispos portugueses dedicaram recentemente a este setor.

D. António Moiteiro referiu que a estrutura de formação de catequistas deve ter “como opção clara o modelo de catequese de adultos”.

“E a catequese de adultos é o adulto que também ele percorre o caminho que o Senhor quer para ele”, acrescentou.

O bispo que coordena o setor da Educação Cristã e Doutrina da Fé em Portugal sustentou ainda a responsabilidade da Igreja Católica em reconhecer cada vez mais o ministério do catequista, a relevância deste serviço à comunidade.

“Se no nosso país o número maior de agentes numa ação pastoral são catequistas, então a Igreja também tem de reconhecer oficialmente que o papel dos catequistas tem um lugar fundamental nas comunidades cristãs”, afirmou D. António Moiteiro, que deu como exemplo o que já acontece em “outros países e territórios de missão”.

Em que “o catequista é reconhecido, quase podemos dizer, como um líder da comunidade cristã”, em que é destacado o seu papel na vida das pessoas.

Nesse sentido, D. António Moiteiro considerou que “se deveria avançar para o ministério de catequista, como um serviço estável na vida das comunidades”, e não “ocasional”.

“É esse serviço estável que nós temos também de afirmar e desenvolver nas comunidades cristãs. Ser educador na fé é um serviço, um ministério, na comunidade cristã”, disse o bispo, que lembrou outros ministérios que ainda estão “muito em embrião nas comunidades, como os de leitor e acólito”.

JCP

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