«É realmente para nós um bom regresso a esta diocese que nos acolhe muito bem», expressou o padre Manuel Martins, vigário paroquial, que vem do Porto

Castelo-Branco, 12 out 2026 (Ecclesia) – A comunidade da Congregação da Missão (CM) tomou posse, este fim de semana, das paróquias de Nossa Senhora de Fátima, de Sarzedas e de Santo André das Tojeiras, em Castelo Branco, e afirmou que, num primeiro momento, pretende conhecer e aprender com as comunidades.
“Não temos ainda um plano definido, precisamente porque viemos para aprender também. A primeira fase é mesmo essa. Portanto, há aqui uma multiculturalidade muito grande, como disse o Padre Suresh, que vem da Índia, será ele o pároco”, afirmou hoje o padre Manuel Martins, vigário paroquial, em declarações à Agência ECCLESIA.
O bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Pedro Fernandes, que assumiu os destinos da diocese em novembro de 2025, aprovou a instalação de uma comunidade da Congregação da Missão (vicentinos) na diocese em junho deste ano.
O sábado de manhã ficou marcado pela tomada de posse da comunidade na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Castelo Branco, com a presença do bispo diocesano e o superior da Província Portuguesa da CM, padre Pedro Guimarães; no domingo, foi a vez das paróquias das Sarzedas e de Santo André das Tojeiras acolherem os vicentinos.
O padre Manuel Martins é um dos elementos da equipa pastoral e admite que, inicialmente, a congregação pretende visitar as comunidades.
“Quereria realmente ver como é que é, como é que vai ser, e depois faremos um projeto, um plano. Para já realmente vamos conhecer e estimar a melhor forma de resolver estes problemas das pessoas. Eu também sou o Diretor das Filhas da Caridade, por isso tenho que estar muitas vezes ausente em visita precisamente às irmãs”, indicou.
O sacerdote vem da paróquia de Paranhos, no Porto, onde esteve 18 anos.
“Eu tenho esta experiência mais de vida, mais velho na idade, e também paroquial em vários pontos do país. Também quero ver como é que é esta zona de beira baixa, que nos surpreende naturalmente”, expressou.
O padre Manuel Martins confessa que a vinda para Castelo Branco foi “uma grande mudança” e um “grande desafio”, assinalando que os padres vicentinos têm um histórico de presença na diocese em Ponte de Sor e Nisa.
É realmente para nós um bom regresso a esta diocese que nos acolhe muito bem”, salientou.

O vigário paroquial acredita que a presença da Congregação da Missão na diocese pode ajudar a responder aos desafios da diminuição da população e falta de sacerdotes.
“Teremos que estudar o terreno para podermos atingir bem esta realidade de desertificação. Para já, notamos que as pessoas trabalham por aqui em Castelo Branco e depois vão passar o fim de semana às suas aldeias de Santo André e Sarzedas. Esta desertificação realmente poderá estar em plano de viragem, ou seja, penso que poderá haver um regresso ao campo, um regresso à província”, observou.
Segundo o padre Manuel Martins, o contributo da comunidade da Congregação da Missão vai passar, em primeiro lugar, pela “proximidade”.
“Nós estamos aqui, nós não vos abandonámos, nós estamos convosco. Nós queremos estar nos momentos bonitos de quando se nasce, ou quando, enfim, nos momentos de lágrimas, quando se parte deste mundo”, indicou.
“O segundo ponto será realmente levar este povo também a amar a Deus, no serviço, no trabalho, e sentir-se feliz, sentir-se bem. […] O terceiro ponto será realmente levar a que haja mais solidariedade, que já existe, existe uma hospitalidade natural, mas que haja mais solidariedade e espírito de missão para sermos capazes de transformar o mundo para melhor”, acrescentou.

Questionado sobre que marca gostaria de deixar em Castelo Branco, o sacerdote respondeu “uma Igreja mais sinodal”, “mais participativa”, para a qual, defende, “já há passos muito bem dados, muito concretos”.
“Nós estivemos na Assembleia Diocesana, em Ponto de Sor, e gostei imenso da maneira como as coisas foram, aconteceram. O D. Pedro Fernandes, portanto, que é um bispo jovem e inovador, tem, realmente, projetos muito bonitos, e acredito que é possível também nós darmos a nossa colaboração”, realçou.
Além do padre Manuel Martins, a equipa pastoral da comunidade da Congregação da Missão é constituída pelo padre Suresh Praban Siluvayya, missionário vicentino oriundo da India que também passou por Angola, e pelo diácono moçambicano Vilarino Calisto, que está com a congregação há cinco anos e vai ser ordenado padre em janeiro de 2027 em Moçambique.
LJ/OC


