Carrazeda de Ansiães: Capela de Nossa Senhora de Fátima reabre com mural dedicado às aparições, dia 13 de outubro

«Nós quisemos recuperar aquela evangelização da vista, que era algo típico das nossas igrejas antigamente», afirmou o padre Humberto Coelho, que gosta do painel que «é uma valorização», mesmo para quem os visita

 

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Carrazeda de Ansiães, 13 out 2026 (Ecclesia) – A Unidade Pastoral de Ansiães, na Diocese de Bragança-Miranda, reabre hoje a Capela de Nossa Senhora de Fátima, em Carrazeda de Ansiães, após renovar o espaço litúrgico, onde criou um painel iconográfico dedicado às aparições na Cova da Iria.

“Nós quisemos recuperar aquela evangelização da vista, que era algo típico das nossas igrejas antigamente, de forma que quem entrar na capela se sinta, por um lado, deslumbrado ao ver as cores, ao ver as imagens, mas depois que faça este caminho que está ali no painel”, disse o pároco de Carrazeda de Ansiães, no Arciprestado de Moncorvo, em entrevista à Agência ECCLESIA.

Segundo o padre Humberto Coelho, com a artista plástica e muralista Mari Bueno, idealizaram “um painel que tivesse também doutrina, mistério”, e explicou que no canto superior direito existem “três arcos, significa a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo”, e existe também uma espécie de três caminhos, que “vai do chão aos pastorinhos”.

“Dos pastorinhos ao nicho de Nossa Senhora de Fátima, onde vai estar a imagem, e até ao centro grande, redondo, onde vai estar uma cruz grande, e que significa também o milagre do Sol, por isso, a inauguração, 13 de outubro, que nos lembra a última aparição”, acrescentou.

O pároco de Santa Águeda de Carrazeda de Ansiães decifrou ainda que fazer esse caminho “da terra, de baixo”, é ter a experiência dos pastorinhos, que “é uma experiência de revelação, de manifestação”, segue-se para a Nossa Senhora, “e de Maria até Jesus”.

“E penso que esta será a grande doutrina que este painel também nos vai transmitir, que a vida é caminho, e que por Maria até Jesus, por pastorinhos até Maria, será um bocadinho por aí que nós vamos”, salientou.

O padre Humberto Coelho recordou que a Capela de Nossa Senhora de Fátima era “muito simples, tinha simplesmente uma cortina, uma cruz e a imagem de Nossa Senhora de Fátima”, e, durante algum tempo, “as pessoas iam pedindo um melhoramento”, por isso, com o Conselho Pastoral, pensaram “não fazer só algo novo, pôr uma imagem do pastorinho, mas criar arte que levasse as pessoas até Deus”.

“E fomos alimentando esse desejo de criar algo novo, diferente, que fugisse um bocadinho ao tradicional, de ter mais um nicho, mais uma imagem, e criar uma peça de arte que ajudasse também a rezar”, salientou arcipreste de Moncorvo.

A renovada capela mariana em Carrazeda de Ansiães tinha “duas grandes colunas, onde estava a imagem de Nossa Senhora de Fátima, e onde estava o sacrário”, e, para não perderem nada, levaram essas pedras a um construtor, que as cortou, “e vão fazer dois bancos e a cadeira presidencial”, por isso, “tudo que estava aqui vai ser reutilizado”, já o chão onde está o altar era “em cimento, com uma alcatifa” que arrancaram, e substituíram por pedra da região.

“E colocamos o espaço litúrgico mais de acordo com os princípios: O padroeiro do lado direito, por exemplo, que não estava, e o sacrário no outro lado”, realçou.

Segundo o pároco de Santa Águeda de Carrazeda de Ansiães, a reação das pessoas “tem sido muito boa”, não tem “ouvido nada em contrário”, e “há sempre a surpresa, a curiosidade” sobre o resultado final – “como é que a imagem vai ficar ali, se se vai ver bem Nossa Senhora, como vai ser a cruz” –, que é dado a conhecer a todos hoje, dia 13 de outubro.

“Comparado com o que havia, e com o que agora podem ver, é muito bom; 13 de outubro é um dia simbólico e bonito para ficar na história desta capela. Nós vamos celebrar a Eucaristia às 20h00, na igreja paroquial, depois uma procissão de velas e terminar aqui”, adiantou o padre Humberto Coelho,

No presbitério da Capela de Nossa Senhora de Fátima vai ser colocada no altar a imagem mariana, e é benzida a nova cruz e o painel iconográfico dedicado as aparições na Cova da Iria.

A Capela de Nossa Senhora de Fátima “tem alguns anos, muitas gerações passaram por aqui”, atualmente, um grupo de pessoas, “maioritariamente senhoras, reza a oração do terço” todos os dias, “às três horas da tarde”, é celebrada uma Eucaristia mensal, “no primeiro sábado de cada mês, fazendo o ciclo dos primeiros sábados”, e também “é muito usada pela comunidade cigana de Carrazeda”, para os velórios, e a Eucaristia do funeral.

CB/OC

Mari Bueno, a artista plástica e muralista que criou o painel iconográfico dedicado às aparições na Cova da Iria, é brasileira, e foi pelo “milagre das redes sociais”, refere o pároco de Santa Águeda de Carrazeda de Ansiães, que viram “alguns trabalhos” quando andavam à procura, e foram surpreendidos por “duas ou três coisas”,

“A distância dela, no Brasil, mas a facilidade com que nós conseguimos contactar, todos os dias falávamos, depois o desejo de Mari Bueno vir aqui, e não nos ter pedido nada de adiantado; e o orçamento que nos fez foi também simpático, tendo em conta o trabalho, a distância”, explicou o padre Humberto Coelho.

O arcipreste do Arciprestado de Moncorvo conta que Mari Bueno “é uma pessoa luminosa, de luz”, a artista, especialista em Arte Sacra, Espaço Litúrgico e Mariologia, e o marido, são pessoas “de fé, e essa fé deles, a vivência deles, foi também transmitida nesta obra”.

“Eu gostei. Eu tinha pedido à Mari Bueno que não fosse uma simples pintura, mas que manifestasse, que tivesse uma atitude, que quem olhasse para cá se sentisse envolvido, e que misturasse algumas artes. Ela misturou aqui pintura com mosaico, por exemplo. A própria cruz vai ter mosaico em toda a sua volta, o altar, o ambão. E eu gosto do resultado”, desenvolveu.

Segundo o pároco de Carrazeda de Ansiães já pensaram noutros sítios para nasceram novas obras, “sobretudo porque cria um preenchimento bonito e a própria cor dá um sinal de alegria, que faz falta”.

“Esta é uma valorização mesmo para quem nos visita, ter também uma atração para vir aqui ver e conhecer uma obra diferente daquilo que estamos habituados”, destacou o padre Humberto Coelho.

 

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