Jovem Mafalda Gorgulho afirma que «uma peregrinação não é só o chegar, não é só ir ao santuário», mas toda a experiência de estarem «em grupo»






Lisboa, 13 out 2026 (Ecclesia) – A Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião, no Patriarcado de Lisboa, realizou a segunda Peregrinação a pé a Fátima deste ano, neste mês de outubro, uma iniciativa intergeracional que mobiliza participantes dos 8 aos 85 anos.
“Essa questão da intergeracionalidade é muito importante, e tem sido uma grande lição para as nossas paróquias. Temos muita tendência a fazer as coisas por gavetas, muito separadinhas – crianças, jovens, adultos, e mais idosos, – e não foi nada pensado, mas pelo tipo de inscrições; apareceram crianças de 8 anos até pessoas com 80 e muitos, vamos ter um senhor com 84, outro com 85”, disse Ricardo Maia e Moura, da equipa de coordenação da peregrinação, esta terça-feira, à Agência ECCLESIA.
O chefe escutista afirmou que “tem sido uma experiência muito bonita”, destacando “a maneira como os jovens tratam os mais velhos, e como os mais velhos sentem acarinhados”.
“E de alguma maneira surpreendente. Temos sempre aquela tendência dos jovens não se envolvem, não querem saber, todos os anos nos perguntam se podem trazer mais pessoas para esta equipa para animar todos, e fazem um trabalho fantástico, é uma peregrinação que tem um pulsar muito alegre, para todas as idades”, acrescentou, na entrevista neste Dia Nacional do Peregrino, 13 de outubro, e última peregrinação internacional aniversária do ano ao Santuário de Fátima.
A segunda Peregrinação das Família a pé a Fátima de 2026 das Paróquias de Nova Oeiras e de São Julião da Barra, mobilizou 120 pessoas, no tema ‘Coração de Maria, caminho para ver a Deus’, de 9 a 11 de outubro.
Para Mafalda Gorgulho, que começou a peregrinar com a sua comunidade paroquial em 2019, afirma que “é sempre novo”, e “é sempre diferente”, principalmente desde que faz parte da equipa de animação, grupo que integrou pela segunda vez, nesta segunda peregrinação do ano da Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião à Cova da Iria.
“Não é fácil, às vezes precisamos de nos animar a nós próprios, mas eu acho que sermos um grupo grande e termos uma dinâmica muito boa todos é uma grande ajuda. Tentamos, sobretudo, passar boa energia, animar, cantar, passar uma boa mensagem”, explicou a jovem peregrina.
Segundo Mafalda Gorgulho, peregrinar para um jovem significa desviar-se “um bocadinho do dia-a-dia tão monótono, e tecnologias”, e tentarem-se focar-se “nas pessoas ao lado, conhecer pessoas novas, evangelizar”.
“Eu percebo que, normalmente, a ideia do santuário esteja um bocadinho distante dos jovens, mas tenho vindo a aprender, cada vez mais, com estas peregrinações: todo o caminho é algo que faz os jovens aproximarem-se, e que uma peregrinação não é só o chegar, não é só ir ao santuário, e toda a experiência de estarmos em grupo, de animarmos o grupo todo, que é um bocadinho o nosso papel e o objetivo, faz toda a diferença.”
Estas peregrinações a pé ao Santuário de Fátima nasceram na Paróquia de São Julião da Barra, em 2012, após a chegada do atual pároco, o padre Nuno Westwood, o agrupamento dos escuteiros, que tinha sido “fundado há pouco tempo”, manifestou a sua disponibilidade,” habituados a cozinhar para muitos”, por exemplo.
“E foi muito interessante, porque criámos logo um grupo de serviços com muitas pessoas da catequese, do coro, de outros grupos paroquiais, e isso tem sido muito importante na própria coesão da paróquia. Isto ainda no início, na Paróquia de São João da Barra, mas rapidamente passámos para a Unidade Pastoral, e foi uma agradável surpresa perceber que houve logo imensas inscrições”, recordou o chefe Ricardo Maia e Moura.
O Dia Nacional do Peregrino é uma data comemorativa da República Portuguesa, instituída pela Assembleia da República a 27 de junho de 2014 (DR I série n.º 134/2014), evocando a “forte tradição na realização de peregrinações cristãs direcionadas para os mais variados locais de culto, com destaque para aquelas que se decorrem no Santuário de Fátima, que envolve inúmeras pessoas”.
LS/CB/OC
| A Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião realiza duas Peregrinações da Família a pé a Fátima por ano, em abril e em outubro, a peregrinação “do outono”, em resposta à procura, “havia muita gente que se queria inscrever, houve um ano que em oito minutos esgotaram”.
“Só Deus sabe a história de cada um, mas o que para nós foi sendo uma surpresa é que havia uma procura muito grande pelas peregrinações. Sentimos que é uma ótima maneira de evangelizar, fomos percebendo que as realidades são muito diferentes, temos pessoas que nós estamos habituados a ver na Eucaristia, mas temos muita gente que não conhecemos, e ficamos muito felizes porque, muitas vezes, mais de metade das pessoas não as conhecemos, e é ótimo”, desenvolveu o chefe escutista Ricardo Maia e Moura. A organização da Peregrinação das Famílias a pé a Fátima da Unidade Pastoral de Nova Oeiras e São Julião pede aos interessados que se inscrevam apenas em uma das duas edições anuais, na primavera (abril) ou no outono (abril), para todos terem a oportunidade de peregrinar, que tentam que também aconteça “nos serviços, que é um grupo relativamente grande”. “As pessoas também querem peregrinar com os pés, mas também querem, por vezes, peregrinar nos serviços. É também uma maneira de peregrinar, e há muitas pessoas a querer ajudar, e isso é fantástico”, acrescentou Ricardo Maia e Moura, da equipa de coordenação da peregrinação à Cova da Iria. A Peregrinação Internacional Aniversária de Outubro faz memória da sexta aparição na Cova da Iria, a Virgem Maria apresentou-se como “Senhora do Rosário” e pediu aos Pastorinhos que continuassem a rezar o terço todos os dias, e do chamado “Milagre do Sol”, em 1917; e marca a conclusão do ciclo anual destas grandes peregrinações realizadas desde maio. |
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