Wilton Littlechild agradeceu a Francisco pelo esforço de «reconciliação» que tem promovido

Foto: Lusa/EPA

Maskwacis, Canadá, 25 jul 2022 (Ecclesia) – O chefe indígena Wilton Littlechild, antigo aluno de um internato no Canadá, deu hoje as boas-vindas ao Papa, junto à antiga escola de Ermineskin, agradecendo a Francisco pelo esforço em favor da “reconciliação”.

“Sua Santidade, é uma grande honra recebê-lo entre nós. Percorreu um longo caminho para estar connosco na nossa terra e caminhar connosco no caminho da reconciliação. Por isso, honramo-lo e damos-lhe as nossas mais sinceras boas-vindas”, declarou, perante representantes das populações indígenas de Maskwacis, na Província de Alberta.

Em vez dos habituais encontros com as autoridades civis e membros do corpo diplomático, a primeira paragem do Papa nesta visita ao Canadá, onde chegou no domingo, foi um encontro com os sobreviventes do sistema de ensino residencial.

A Escola de Ermineskin foi uma das maiores do Canadá, confiada a missionários católicos desde a sua fundação, em 1895.

Wilton Littlechild, o chefe “águia dourada” (Usow-Kihew, na língua cree), apresentou Maskwacis como “território ancestral” dos povos Cree, Dene, Blackfoot, Saulteaux e Nakota Sioux desde “tempos imemoriais”.

O Papa foi saudado com vários cânticos e danças tradicionais indígenas.

“Gostaríamos de reconhecer com profundo apreço o grande esforço pessoal que fez para viajar para a nossa terra. É uma bênção recebê-lo e acolhê-lo entre nós. A vasta extensão de terra chamada Canadá, a que os Povos Indígenas se referem como parte da Ilha da Tartaruga, é a pátria tradicional das Primeiras Nações, Métis e Povos Inuítes”, acrescentou, dirigindo-se a Francisco com o nome indígena de “águia branca”.

O antigo aluno na escola residencial Ermineskin evocou os sobreviventes destas instituições, presentes no local juntamente com chefes, líderes, anciãos, detentores do conhecimento e jovens das comunidades das Primeiras Nações, Métis e Inuítes em toda a nossa terra.

O encontro teve ainda a presença da governadora geral do Canadá, Mary Simon, e o primeiro-ministro, Justin Trudeau.

Wilton Littlechild foi comissário da Comissão da Verdade e Reconciliação, na qual ouviu cerca de 7 mil testemunhos de ex-alunos de escolas residenciais.

O responsável recordou os encontros de março e abril deste ano com o Papa, no Vaticano, destacando que Francisco “ouviu profundamente e com grande compaixão os testemunhos”, o que representou para os participantes “uma fonte de profundo conforto e grande encorajamento”.

“Falavam da forma como a nossa língua foi suprimida, a nossa cultura nos foi tirada e a nossa espiritualidade denegrida. Ouviu a devastação que se seguiu à forma como as nossas famílias foram despedaçadas”, relatou.

O chefe Usow-Kihew sublinhou que o Papa está no Canadá “como um peregrino, procurando caminhar no caminho da verdade, justiça, cura, reconciliação e esperança”, deixando votos de que o encontro de hoje represente um momento de “verdadeira cura e esperança real por muitas gerações vindouras”, concluiu.

Em 2021 foram descobertas centenas de sepulturas anónimas junto de antigas escolas residenciais indígenas; várias destas instituições pertenciam à rede de escolas administrada pela Igreja Católica, destinadas à “reeducação” de crianças indígenas, com o apoio do Governo canadiano.

A Igreja Católica assumiu o compromisso de promover uma angariação de fundos em todas as regiões do Canadá para apoiar iniciativas assumidas localmente com os parceiros indígenas.

Em 2015, após sete anos de pesquisa, a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá divulgou um relatório sobre escolas residenciais, revelando que entre 1890 e 1996 mais de 3 mil crianças morreram por causa de doenças, fome, frio e outros motivos.

Francisco é o segundo Papa a visitar o país, depois das três visitas realizadas por São João Paulo II.

OC

Canadá: Papa recebido por autoridades políticas e representantes indígenas (c/vídeo)

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