
Bragança, 03 out 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Bragança-Miranda vai celebrar os 25 anos da sua catedral e inaugura duas novas obras de arte contemporânea, a ‘Cruz da Ressurreição’ e de um painel sobre as Obras de Misericórdia, no dia 7 de outubro.
Um comunicado enviado à Agência ECCLESIA informa que a apresentação destas duas obras também acontece “num contexto mais amplo de valorização da arte contemporânea no território”, o distrito de Bragança acolhe uma Bienal de Arte Contemporânea, com o conceito ‘A Linha da Terra’, em nove concelhos, entre outubro e dezembro.
“Esta linha é tecida na fragilidade existencial de pessoas e lugares onde a certeza dum limite (a morte) não obsta à construção de memória, de identidade e de processos de transformação que moldam as Terras de Trás-os-Montes”, salientou o padre José Ribeiro Gomes, diretor da Comissão Diocesana de Arte Sacra e Bens Culturais da Igreja.
É nesta relação entre território, memória, identidade, fragilidade e transformação que a presença destas novas obras na catedral de Bragança ganha particular significado, acrescenta o comunicado do Secretariado das Comunicações Sociais da Diocese de Bragança-Miranda.
Nesta celebração dos 25 anos, a catedral, centro de uma comunidade diocesana espalhada por diferentes lugares de Trás-os-Montes, acrescenta dois novos marcos artísticos, “uma cruz que proclama a Ressurreição e um painel que evoca a Misericórdia”, a expressão estética é uma “linguagem capaz de interpelar, acolher e ajudar a contemplar os grandes mistérios da existência humana: a vida, o sofrimento, a morte, a misericórdia e a esperança”.
A ‘Cruz da Ressurreição’, com o subtítulo ‘Ó morte onde está a tua vitória?’, foi instalada na cripta da catedral, o texto e a conceção são da autoria do padre José Ribeiro Gomes, e foi realizada por Fernando Selas.
A pergunta ‘Ó morte onde está a tua vitória?’, inspirada em São Paulo, torna-se” o grito e a interpelação central da obra”, a Cruz da Ressurreição aponta para “uma esperança que ultrapassa a própria morte”, perante o sofrimento, a destruição e a fragilidade da existência humana.
“A madeira utilizada na sua construção veio de Donai, proveniente de uma velha porta, outrora preparada e polida, que ao longo dos anos foi sendo marcada pelo tempo: tornou-se rugosa, gretada, torcida e carcomida; a madeira acusa a passagem do tempo, também cada vida é marcada pela experiência, pelo sofrimento, pelas fragilidades e pelas escolhas”, desenvolve, indicando que “cada tábua é diferente, tal como cada pessoa é única”.
A forma tripartida da ‘Cruz da Ressurreição’ “constitui uma referência à Trindade”, e retoma as mesmas medidas estruturais do painel da aula litúrgica, no piso superior da Catedral, da autoria de Mário Silva.
O painel dedicado às Obras de Misericórdia, concebido pela artista plástica Tânia Pires, foi colocado à entrada da Catedral, na Capela da Misericórdia, e reforça “a dimensão pastoral da catedral”, enquanto espaço onde a celebração da fé se encontra com a caridade e com o serviço ao próximo.
A nova obra, da autora de diversos trabalhos em templos religiosos de várias dioceses de Portugal, pretende colocar diante do olhar dos visitantes e da comunidade cristã “o compromisso concreto da misericórdia”, recordando que a fé se traduz também “no cuidado do outro, particularmente dos que vivem situações de fragilidade, sofrimento ou necessidade”.
A Diocese de Bragança-Miranda vai celebrar, nos dias 6 e 7 de outubro, os 25 anos da inauguração da sua catedral, realizada a 7 de outubro de 2001, com a presença de D. Andrés Carrascosa Coso, representante do Papa Leão XIV junto da Igreja e do Estado português; dedicada a Nossa Senhora Rainha “tornou-se lugar de celebração da fé, de encontro e de comunhão para toda a comunidade brigantina e diocesana”.
CB
