Braga: «Verdade, justiça e paz» são temas «sensíveis» para jovens que perpetuam tradições da Quaresma

Cónego José Paulo Abreu percorre cada semana da Quaresma a partir das celebrações que neste tempo se vive na arquidiocese de Braga e apresenta devoção mariana presente nas tradições

Braga, 20 mar 2026 (Ecclesia) – As tradições quaresmais na arquidiocese de Braga são revitalizadas pela participação dos jovens, indica à Agência ECCLESIA o cónego José Paulo Abreu, que reconhece a “sensibilidade” dos jovens para temas como a “verdade, justiça e a paz”.

“O tema da verdade, ajustiça, a paz são temas aos quias os jovens são. A ecologia, é um tema que eles têm muito a peito, como é evidente. Os seus sonhos. Há uma sociedade que eles querem que lhes dê oportunidades, e que seja humana, são apenas para os seus sonhos, projetos e anseios mas para o mundo que eles estão a habitar. É claro que essas preocupações são ilustradas no texto da Via-Sacra”, explica o responsável pelo colégio de cónegos da Sé de Braga.

A Via-sacra é um percurso com 14 estações e recorda os últimos passos de Jesus rumo ao calvário, local onde foi morto.

“Eles querem que o mundo lhes dê paz para o futuro, sossego, condições e oportunidades de vida, concretizações de sonhos. E, portanto, é claro que os textos da via-sacra vão tocar aí, vão tocar nas preocupações deles”, sustenta o responsável.

A pastoral juvenil, envolvendo os movimentos, os centros universitários, a pastoral universitária, e a pastoral vocacional da arquidiocese de Braga organiza uma Via-Sacra, que se tornou tradição no dia 23 de março.

O cónego José Paulo Abreu dá conta da procissão dos Passos, na paróquia de Celeirós, que envolve, igualmente, “muita gente nova” numa ocasião e encontro geracional.

“São três teatros, que retratam três momentos – o pretório, o encontro e do calvário – e em Celeirós esta procissão é um atrativo especial, sempre com muita gente, que durante três horas não arreda pé”, recorda.

O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, está, ao longo da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza, num caminho feito com o cónego José Paulo Abreu.

O tempo de Quaresma na arquidiocese de Braga, centrado na vida de Jesus até ao momento da sua morte, abre espaço para a devoção mariana com a festa de Nossa Senhora das Dores, realizada a partir da Basília dos Congregados.

“É uma festa muito bonita porque põe o foco naquela que, sendo uma figura absolutamente ímpar neste processo, tem sempre este papel de apontar par Jesus. A devoção a Nossa Senhora das Dores é muito forte, e está patente na devoção dolorosa de Nossa Senhora na Paixão. Temos imensas imagens da Pietá (imagem de Jesus morto no regaço de Maria) e da Senhora das Dores, com a representação icónica mais frequente que são as sete setas que atravessam o seu coração – as dores que Nossa Senhora foi tendo ao longo da vida”, explica.

O cónego José Paulo Abreu dá ainda conta do envolvimento de associações e da Santa casa da Misericórdia de Braga, que convoca as suas congéneres para se fazerem representar na procissão «Ecce Homo», na Quinta-feira Santa, renovando e ampliando a população que assiste às manifestações religiosas da Quaresma em Braga.

“As procissões não são só um desfilar de pessoas, nem são só rostos bonitos, ‘ceráficos’ de anjinhos vestidos a branco, com as asas muito proporcionadas. Temos tentado que as procissões também sejam catequese, sejam anúncio, sejam Evangelho. Não sejam apenas folclore, não sejam apenas mostrar-se ou ser visto, mas sejam púlpito”, indica.

A conversa com o cónego José Paulo Abreu a propósito das celebrações que acontecem em Braga, no V Domingo da Quaresma, estão no centro do programa ECCLESIA, emitido na Antena 1, este sábado pelas 6h.

LS

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