Quaresma: Procissões são ocasião para «mostrar património» religioso das comunidades

Cónego José Paulo Abreu percorre cada semana da Quaresma a partir das celebrações e tradições que neste tempo se vive na arquidiocese de Braga

Braga, 13 mar 2026 (Ecclesia) – O cónego José Paulo Abreu disse à Agência ECCLESIA que a procissão dos Passos que, as comunidades organizam a cada semana na arquidiocese de Braga, são uma ocasião para mostrar o património que guardam.

“Estas exposições também servem para as comunidades mostrarem o seu património. Há esculturas que são de uma beleza incrível, pinturas que são de uma beleza incrível. Temos esculturas da Senhora das Dores, do Cristo da Cana verde, de Cristo a caminho do calvário, esculturas da Pietá, que são um sonho. Há esculturas que são fabulosas e que durante o ano estão escondidas”, explica.

A procissão dos Passos evoca o caminho da via-sacra, que Jesus fez até ao calvário, e na arquidiocese de Braga, é organizado a cada semana por uma comunidade paroquial – na IV semana da Quaresma acontece nas comunidades de Figueiredo e Real.

“Há um património escondido, que resulta da devoção de cada comunidade, que nesta altura há orgulho em expor nos andores nas procissões”, concretiza.

O programa ECCLESIA, com emissão ao sábado na Antena 1, está, ao longo da Quaresma, a conhecer as tradições que a Arquidiocese de Braga organiza.

O cónego José Paulo Abreu, responsável pelos cónegos da Sé de Braga, assinala que estas manifestações públicas que recriam tradicionalmente os últimos momentos da vida de Jesus, são participados por milhares de pessoas, “muitas que durante o ano não participam da vida eclesial”.

“A comunidade que participa nas procissões não é apenas a comunidade dos crentes estritamente ditos, os que estão na missa lá na paróquia. Há uma simbiose muito interessante e muito profunda, entre a comunidade civil e a comunidade religiosa. As autoridades civis associam-se nestas procissões de uma forma muito massiva. Acredito que percebem isto como um momento marcante da vida das comunidades”, indica.

O responsável traduz um “esforço” das comunidades na angariação de fundos para que nada falhe, como na preparação das pessoas que integram as procissões, vestuário – “algumas têm cavalos” – num “movimento fantástico”.

Foto Agência ECCLESIA/JG

Os sermões marcam também a procissão dos passos, na arquidiocese de Braga, onde o pregador assume a responsabilidade de falar “para multidões”.

“Alguns escutam uma palavra pela primeira vez. Estamos a falar de milhares de pessoas e sabemos que é um momento muito importante de anúncio”, conta.

O cónego José Paulo Abreu convida ainda à participação, no dia 20 de março, para o concerto da Sé de Braga, com a escola de música Calouste Gulbenkian.

“Tem sido uma benesse para a cidade esta escola de música com os miúdos a aprender. As novas gerações têm trazido literacia musical. Enchem a catedral e todos se deliciam a escutá-los”, traduz.

O cabido da Sé de Braga procura “servir a cultura”, explica o cónego José Paulo Abreu, e o órgão de “quatro mil tubos” potencia a experiência de um concerto naquele local.

“Temos aqui alguns concertos que são mais ou menos um elevador para o paraíso. A sonoridade da catedral. O som no coro alto que projeta a música, quando bem tocado já nos eleva”, assinala.

A conversa com o cónego José Paulo Abreu que convida a participar nas celebrações da IV semana da Quaresma pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, com emissão ao sábado, na Antena 1, pelas 06h00.

LS

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