Arcebispo de Braga pede «trabalho conjunto» nas comunidades e advertiu para «grande perigo» de reduzir «sacramentalidade a mero sacramentalismo, funcionalismo, ativismo ou distração, sem dedicação centrada em Jesus Cristo»
Braga, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga pediu hoje aos padres que o trabalho que realizam seja feito em conjunto para “evitar situações limite” e quis saber como cada sacerdote cuida das suas “fragilidades”, do “descanso pessoal e das relações familiares”.
“Caríssimo Padre, como encaras as tuas fragilidades? Como cuidas do descanso pessoal, da oração, das relações familiares e de amizade significativas? O que podes fazer para uma relação mais saudável entre o presbitério, que seja fonte e meta de um ministério mais feliz, frutuoso e humana, espiritual e pastoralmente realizado?”, questionou D. José Cordeiro na homilia da Missa Crismal, na Sé de Braga, enviada à Agência ECCLESIA.
O responsável reconheceu que apesar de Braga contar com “um presbitério com muitos sacerdotes”, a realidade mostra que são “cada vez mais velhos, permanecendo ativos até idades bem avançadas” e que ainda que novos padres vão sendo ordenados, “não são suficientes para a renovação geracional do presbitério bracarense”.
“Sei que muitos de nós se sentem no seu trabalho pastoral cada vez mais cansados, sobrecarregados até, porque estamos a tentar manter um estado de coisas que exige muito mais recursos do que aqueles que temos disponíveis atualmente”, reconheceu.
D. José Cordeiro pediu uma “Igreja mais ministerial, onde pastores e fiéis leigos, cada um com o seu ministério específico, trabalham em conjunto na administração e realização das diversas áreas da pastoral”, onde com a ajuda de “diáconos permanentes, com os acólitos, leitores e catequistas instituídos, e outros ministérios que o Espírito Santo pode suscitar” se possa “evitar situações limite, em que a administração colocada nas mãos e ombros de uma só pessoa leva ao esgotamento físico, mental e espiritual dessa pessoa”.
“Expresso um profundo agradecimento a todos os presbíteros pelo seu testemunho e dedicação que, em todas as partes da nossa Arquidiocese: doam a vida, celebram bem a Liturgia, especialmente a Eucaristia, o Batismo, a Reconciliação, a Santa Unção e o Matrimónio, rezam e pregam a Palavra de Deus, e se dedicam, diariamente, com amor e compaixão aos seus irmãos e irmãs”, sublinhou ao iniciar a celebração.
O arcebispo de Braga recordou pilares essenciais ao sacerdócio: “fidelidade e serviço, que nasce do encontro pessoal com Cristo; fidelidade e fraternidade, onde cada membro do colégio presbiteral está unido aos outros por laços de caridade apostólica, ministério e bragabragafraternidade; fidelidade e sinodalidade que implica a relação com o bispo, com o presbitério e com os fiéis leigos; fidelidade e missão, sublinhando que “a identidade dos presbíteros constitui-se em torno do seu ser para” e é indissociável da sua missão; fidelidade e futuro, recordando que não há futuro sem cuidar de todas as vocações”.
D. José Cordeiro quis ainda advertiu para “o grande perigo” de reduzir a “sacramentalidade a mero sacramentalismo, funcionalismo, ativismo ou distração, sem dedicação centrada em Jesus Cristo” e pediu que os servidores do “tríplice ministério da Palavra, dos sacramentos, do serviço da caridade” nãos e distraiam.
“O mundo complexo e em mudança acelerada, que parece querer arrastar-nos na voragem da novidade contínua, pode ser opressor para nós que tentamos viver o tempo de Deus nos caminhos do mundo. Temos de discernir e decidir novos modos de sermos Igreja que caminha unida neste território bracarense. E ainda que haja tanta vitalidade de fé que devamos preservar e revalorizar, ainda que haja tantos lugares no mundo e em Portugal, onde a situação da Igreja seja mais difícil que a nossa, não podemos esperar mais. Partimos com atraso, porque não quisemos enfrentar a realidade, a qual se está agora a impor de forma inexorável, mas ainda é possível renovar”, pediu aos padres de Braga.
O arcebispo de Braga desafiou a olhara para a celebração da Missa Crismal como um “autêntico momento de harmonia, de renovação do ardor missionário e das razões vocacionais” que levaram cada padre a “decidir pela entrega total a Jesus Cristo na Sua Igreja”.
A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese e durante a celebração são benzidos os óleos destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo; é nesta Eucaristia que os padres renovam as promessas sacerdotais.
LS
