«Vejo muitos rostos e lágrimas, a minha história quer estar comprometida com todos» – D. Jorge Ortiga

Braga, 22 set 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga apresentou hoje a sua nova carta pastoral ‘Escutar a Terra, Olhar o Céu – Lição da Covid-19’, na sessão de abertura do ano pastoral 2020/2021 que começa o triénio ‘Uma Igreja Sinodal e Samaritana’, até 2023.

“Nesta pequena nota pastoral quis deixar uma palavra de presença e estímulo a muitas pessoas com nomes concretos, enumerei 17 categorias. Poderiam ser muito mais, mas é importante sublinhar que a Igreja de Braga quer caminhar com cada um, sinodalmente em atitude de serviço e doação tornando-se expressão do samaritano”, explicou D. Jorge Ortiga, esta terça-feira, no Espaço Vita.

Na apresentação da nova carta pastoral ‘Escutar a Terra, Olhar o Céu – Lição da Covid-19’, o arcebispo de Braga assinala que se refere a “situações concretas vista à luz desta pandemia” e fala “das crianças, dos idosos, dos doentes, dos profissionais de saúde, dos emigrantes”.

“Vejo muitos rostos e lágrimas, a minha história quer estar comprometida com todos. A Arquidiocese de Braga deve ter este programa: Ouvidos na terra, olhos no céu. É o único comportamento salvador para esta hora histórica”, acrescentou.

D. Jorge Ortiga referiu que a pandemia está a deixar a “lição” que “a vida humana é muito vulnerável” e os progressos humanos “podem ser muito consistentes”, mas “um vírus invisível vem denunciar as fragilidades”.

“A ciência não o consegue dominar”, observou, acrescentando que chegou o momento de “reconhecer” que percorrem “a mesma estrada, mas inequivocamente” terão de “olhar para o céu” e, aqui, “entra o exemplo e o modelo” dos discípulos de Emaús como “pessoa obrigatório para a caminhada”.

Na abertura do novo ano pastoral na Arquidiocese de Braga foi também apresentado o livro ‘Caminhos de Esperança. Em período de Confinamento’ que reúne as homilias de D. Jorge Ortiga nas Missas que presidiu diariamente, às 18h00, e ao domingo às 11h00, na capela do Paço Arquiepiscopal de Braga, durante os meses de março e abril.

“Duas publicações escritas em tempo de confinamento e tentando retirar lições da Covid”, observou o arcebispo, que espera que ajudem os leitores a “assumirem responsabilidades não só na prevenção da pandemia” mas, sobretudo, “na alegria de aproveitar um tempo difícil mas desafiante, complicado mas repleto de muitas perspetivas”, que abre portas para “um mundo mais humano e solidário, mais fraterno e igual”.

No início da sessão transmitida pelos canais online da Arquidiocese de Braga, D. Jorge Ortiga afirmou que “é hora de recomeçar com novo alento e nova coragem”.

“Não podemos permitir que o vírus impeça o nosso trabalho pastoral, está a acontecer um novo dia, por debaixo do Covid tem muitas novidades e é por isso que o Senhor Deus nos convida a levantarmo-nos para novas experiências”, realçou.

“Creio que com alguma ousadia e coragem podemos entrar na vida das pessoas e das famílias colocando lá sempre a semente da caridade: É essa semente que durante este ano queremos colocar no coração das pessoas. Mas para isso, e nesta exigência de nos levantarmos nesta hora de perplexidade, teremos de abandonar um certo tipo de fazer as coisas, para nos revestirmos de muita novidade”, desenvolveu.

O padre Nuno Ventura, religioso passionista, apresentou uma reflexão a partir do texto do ‘Bom Samaritano’, ajudando a refletir sobre o tema da caridade, e o padre Sérgio Torres, secretário do Conselho Pastoral Arquidiocesano e membro do Conselho Episcopal e Presbiteral, apresentou as linhas principais do plano que “pretende educar para e criar uma ‘cultura da caridade’.

CB/OC

 

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