D. Jorge Ortiga assinala necessidade de «ter algo de original a oferecer» à sociedade

Foto: Diário do Minho

Braga, 03 fev 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga disse que a Universidade Católica Portuguesa (UCP) tem de “antecipar pensamentos, criar cultura, dar um contributo positivo” para “salvar” o que é humano e “o seu viver em sociedade”, falando na Eucaristia a que presidiu no dia nacional da instituição.

“O contributo pode parecer residual. Por mais pequeno que seja, será certamente imprescindível para o futuro da humanidade. Não nos podemos contentar em conhecer quanto se ensina ou divulga. Penso que teremos de ter algo de original a oferecer”, afirmou D. Jorge Ortiga, este domingo, na Sé bracarense.

O arcebispo primaz assinalou que “a missão da Católica terá de extravasar os recintos das aulas ou das salas universitárias”.

Sair não pode ser uma palavra gasta pelo Papa Francisco. O mundo é um verdadeiro areópago onde a voz da Igreja não poderá faltar. Com esta presença, os problemas poderão ser mais compreendidos e o ensino tornar-se-á mais motivador para encontrar, em conjunto, soluções”.

D. Jorge Ortiga referiu que “talvez não seja utópico” pensar na hipótese da Universidade Católica “ir propondo caminhos alternativos” nos seus currículos, como exemplo o “motivar para uma verdadeira comunhão” entre os empresários, os trabalhadores e as empresas, no âmbito de uma “economia que mata não”.

O arcebispo de Braga, onde a UCP tem um dos seus polos de ensino, considera que a instituição académica “não pode fugir à responsabilidade” de ver a sua missão de uma forma “centrípeta e centrífuga”, terá de “questionar sempre a excelência dos seus ensinamentos” e colocar-se na vanguarda de quem quer contribuir para uma sociedade diferente e interrogar-se sobre o “contributo” dos seus professores e antigos alunos para “uma sociedade alicerçada em valores e que trabalha pela dignidade de todos”.

“Sei que não é fácil motivar alunos para que queiram encher-se de novos conhecimentos. Toca-nos, porém, a responsabilidade de ir acendendo fogueiras nas mentes dos estudantes para que, posteriormente e como consequência natural, iluminem o coração das famílias, das empresas, da política e de todos os ambientes humanos”, explicou.

D. Jorge Ortiga referiu também que se a pastoral da Universidade Católica “tem de ser sinodal” em Braga necessitam que “caminhe” com a Igreja e “ofereça sugestões” estruturadas e em consonância com “o evoluir da História”, uma vez que “a ação da Igreja não será eficaz de for amadora”, lê-se na homilia publicada no sítio online da Arquidiocese de Braga.

O arcebispo explicou que se pode “integrar o papel da Universidade Católica Portugal” numa sociedade “pluralista em termos culturais” onde “ninguém aceita o pensamento único” e fala-se do pensamento líquido que “impõe as suas regras, mas depois se evapora”.

Com o lema ‘A Universidade como protagonista do futuro’ a sessão comemorativa do Dia da Universidade Católica Portuguesa realiza-se esta sexta, pelas 15h30, no Auditório Ilídio Pinho do Centro Regional do Porto.

A UCP foi criada em 1967, é reconhecida pelo Estado como instituição universitária livre, autónoma e de utilidade pública.

CB/OC

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