D. Luiz Fernando Lisboa fala em mais de 500 mortes

Foto: AIS

Lisboa, 03 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo de Pemba, em Moçambique, alertou para a sucessão de ataques no norte do país, falando numa “tragédia” que já provocou mais de 500 mortos e milhares de desalojados desde outubro de 2017.

D. Luiz Fernando Lisboa falava à fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a respeito do que qualificou como “ameaça jihadista” na província de Cabo Delgado, onde entre os dias 29 e 30 de janeiro houve, pelo menos, seis ataques

“É uma realidade muito triste, que as forças de defesa e de segurança não estão a conseguir conter se não houver uma ajuda internacional”, referiu o responsável católico, em declarações enviadas hoje à Agência ECCLESIA.

Além do Instituto Agrário de Bilibiza, várias aldeias ficaram destruídas, com habitações e infraestruturas incendiadas, nomeadamente serviços públicos e um centro de saúde.

“Soube que a escola foi queimada, e depois eles destruíram outras casas de comércio [situadas] ali por perto”, informou o bispo de Pemba.

D. Luiz Fernando Lisboa sublinha o impacto que a situação de violência tem na vida das populações.

“As aldeias estão a ficar vazias, as pessoas não estão a plantar, então isso significa que haverá fome, e nós temos milhares de deslocados internos”, explica.

Segundo a ONU, haverá cerca de 60 mil deslocados na região norte de Moçambique em consequência dos ataques às aldeias.

O bispo de Pemba diz ter consciência de que pode vir a ser alvo de um desses ataques.

“Estou consciente de que isso pode acontecer. Mas, sinceramente, não tenho medo. Não tenho medo. Estou a tentar cumprir o meu papel, tenho procurado dar apoio aos missionários que estão lá, na linha da frente, que estão nesses distritos onde há ataques, e eles têm sido missionários e missionárias muito corajosos porque muitas vezes são aquele oásis que o povo precisa, para ir lá chorar, para reclamar, para contar o seu problema, para buscar algum tipo de ajuda”, declarou.

OC

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