Ao longo dos próximos 10 meses, a vida da Igreja Católica nos EUA vai ser passada em revista João Paulo II começou ontem a receber em audiências privadas os bispos dos Estados Unidos, que realizam a sua visita “ad Limina”. Ao longo dos próximos 10 meses, a vida da Igreja Católica nos EUA vai ser passada em revista, naquela que é a análise mais exaustiva da situação desde que rebentou o escândalo nacional de abusos sexuais, há dois anos. Mais de 4.000 padres norte-americanos foram considerados culpados de abusos sexuais a menores entre 1950 e 2002, segundo um relatório da Conferência episcopal dos Estados Unidos, divulgado no mês de Fevereiro. O relatório sobre o envolvimento de padres e diáconos em casos de pedofilia refere-se ao período entre 1960 e 1984 e foi elaborado pelo Instituto de Criminalística John Jay College, de Nova Iorque. A investigação concluiu que, nos últimos 50 anos, 4392 padres e diáconos foram acusados da prática de pedofilia, número que corresponde a cerca de 4% do clero dos EUA. Na sequência da crise gerada pelos escândalos sexuais, o Vaticano começou a destacar o papel do arcebispo metropolitano e o seu papel como monitor das Dioceses “sufragâneas” – ou dependentes. Nestas visitas, os arcebispos voltarão a ser aconselhados a comunicar, imediatamente, qualquer irregularidade ou insuficiência no tratamento de situações de risco. Espera-se que o Papa aborde esta situação, embora a agenda destas visitas seja muito mais vasta. Diocese por Diocese, os encontros vão servir para um tomar do pulso da vida sacramental, da dinâmica vocacional e dos desenvolvimentos litúrgicos nos últimos tempos. As visitas acontecem cada 5 anos e o seu nome vem da expressão latina “ad Limina apostolorum” (aos túmulos dos apóstolos), em referência à peregrinação aos túmulos dos apóstolos que os bispos devem fazer. A viagem ao Vaticano inclui três partes distintas. A primeira é o encontro dos bispos com o Papa; na segunda parte, os bispos rezam nos túmulos dos santos Pedro e Paulo em Roma; a terceira parte oferece a oportunidade aos bispos de se encontrarem com os colaboradores do Papa, Prefeitos de Congregações vaticanas e Conselhos Pontifícios. Na conclusão da visita, João Paulo II reúne-se com todos os bispos, aos quais entrega um discurso. Neste discurso, o Papa aborda os problemas e desafios que os bispos apresentaram nos seus relatórios e nas suas conversas com ele.
