Pavilhão do Vaticano tem a participação de 24 artistas, de 12 nacionalidades, como as portuguesas Carminho e Ilda David, de Patti Smith e Brian Eno
Cidade do Vaticano, 27 abr 2026 (Ecclesia) – O prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação afirmou que esta “época precisa de profetas culturais”, e Santa Hildegarda de Bingen pode inspirar “na gestação de novas visões”, na apresentação do pavilhão do Vaticano para a Bienal de Veneza.
“A nossa época necessita de novos mestres, e o perfil polifónico de Hildegarda pode servir de antídoto para a exasperação das monotonias, inspirando-nos na gestação de novas visões. A nossa época precisa de profetas culturais, capazes de transcender os becos sem saída da língua dominante e de expressar aquilo a que Hildegarda chamou ‘linguagem desconhecida’”, disse D. José Tolentino Mendonça, esta segunda-feira, na conferência de imprensa na sala de imprensa do Vaticano.
Na apresentação do Pavilhão da Santa Sé para a 61.ª Mostra Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que é inspirado pela figura de Santa Hildegarda von Binguen (1098-1179), o cardeal português afirmou que “não deve ser surpresa” que a bienal “dialogue com a figura de uma freira”, uma vez que todo o artista, “mesmo o mais distante dos horizontes religiosos, se assemelha a um monge na intensidade da sua exploração interior”.
“Numa época de aceleração que roça a imediação, voltar o nosso olhar para uma figura aparentemente intempestiva pode ser benéfico, alcançando uma profundidade capaz de sugerir novas e sábias respostas”, acrescentou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, sobre esta mística do século XII, que possui “uma voz fortemente contemporânea, capaz de iluminar as questões e os caminhos do presente”.
D. José Tolentino Mendonça explica este era o método de Santa Hildegarda de Bingen que “acreditava na religação dos laços” que unem as pessoas e as sociedades, e que sabia que a transformação do mundo passa também “por uma evolução espiritual, na qual as formas artísticas e científicas são participantes ativos”.
A santa, Doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI, que foi freira, mas também compositora e cantora, aliou o estudo dos textos sagrados ao trabalho visual da pintura, e, destaca o colaborador de Leão XIV, por essa razão, “foi uma mestra profética e pregadora”, ao mesmo tempo “uma conceituada curandeira, especialista nas ciências da medicina e da biologia”.

O prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé explicou que as palavras programáticas do Papa norte-americano – “regressar ao serviço do ritmo da vida, da harmonia da criação, e curar as suas feridas” – “servem de bússola” para o projeto do Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Veneza, a 61.ª Mostra Internacional de Arte que decorrerá de 9 de maio a 22 de novembro de 2026.
Em comunicado, enviado à Agência ECCLESIA, a Santa Sé informa que o seu pavilhão, com o tema ‘O ouvido é o olho da alma’, apresenta um conjunto de novas obras encomendadas a 24 artistas, de 12 nacionalidades, como as portuguesas Carminho e Ilda David, em resposta à proposta da curadora geral da bienal Koyo Kouoh (falecida a 10 de maio de 2025), que pretende “abrandar o ritmo e sintonizar-se com um tom mais tranquilo”, com uma exposição que assume “a forma de uma oração sonora, um convite ao ato contemplativo da escuta”, inspirada na vida e no legado de Santa Hildegarda.
“Desejo expressar de coração a cada um deles a alegria e a honra que é poder construir em conjunto uma proposta tão vigorosa, empática e necessária”, disse D. José Tolentino Mendonça, no seu discurso.
O pavilhão da Santa Sé (com curadoria de Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers e concebido pelo realizador Alexander Kluge, falecido a 25 de março) vai ter “duas localizações, em dois bairros característicos de San Marco”, destacou o cardeal português, “um jardim a céu aberto em Cannaregio e o Complexo de Santa Maria Ausiliatrice, em Castello, agradecendo à Província Veneziana das Carmelitas Descalças e à cidade de Veneza.
CB/PR
Bienal/Veneza: Pavilhão da Santa Sé tem participação das portuguesas Carminho e Ilda David
