Antigo presidente da Conferencial Episcopal Portuguesa (CEP) acompanhou Bento XVI em 2010 na sua deslocação a Portugal

Foto: Santuário de Fátima

Braga, 31 dez 2022 (Ecclesia) – D. Jorge Ortiga, arcebispo emérito de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) durante a visita de Bento XVI a Portugal em maio de 2010, recordou hoje o homem “afável” e “interessado na vida dos portugueses”.

“Tive a oportunidade de verificar que, para além do que estava definido e da clareza das suas ideias, este era um homem curioso e muito aberto a sugestões”, recordou D. Jorge Ortiga à Agência ECCLESIA.

D. Jorge Ortiga foi presidente da CEP até 2011, tendo acompanhado “com grande proximidade” a deslocação a Portugal do Papa Bento XVI por ocasião dos 10 anos da beatificação dos pastorinhos, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

O arcebispo emérito de Braga confessa que encontrou um homem diferente da imagem que tinha, e recorda a presença alegre dos jovens junto da Nunciatura Apostólica onde Bento XVI ia pernoitar.

“Foi um momento que não estava no programa e que tocou muito o Papa Bento XVI que a dado momento se deslocou à janela para saudar os jovens que cantavam no exterior, um gesto que resultou da sua sensibilidade pelo diálogo, do querer ouvir, do querer escutar”, recorda.

Outra situação que D. Jorge Ortiga guarda na memória é a reação de Bento XVI perante as crianças que o esperavam no exterior do Centro Cultural de Belém.

“Fez-se criança com elas, saindo do carro, baixando-se e beijando algumas. O homem de ciência era também o homem de grande simplicidade”, evidencia.

Reconhecendo que na época a palavra não tinha ainda a carga expressiva que tem hoje, D. Jorge Ortiga sublinha que Bento XVI foi “um homem sinodal” na medida em que ouvia e escutava para pôr em prática.

Bento XVI, segundo o antigo presidente da CEP, era também um homem curioso e em busca do saber.

“Nas refeições interessou-se muito pelo modo de vida dos portugueses e das suas necessidades e problemas”, recorda, refutando serem conversas vazias mas “repletas de interesse” para que ele pudesse “servir melhor este povo que visitava”.

Para o Arcebispo emérito de Braga, a viagem de Bento XVI a Portugal foi uma ocasião para “desfazer” a imagem que tinha “do intelectual, do distante, do afastado” para descobrir “o irmão, o próximo, o que perguntava e o que estava disponível para nos acolher a todos”.

D. Jorge Ortiga guarda a humildade e simplicidade de Bento XVI que “se deixava guiar por aquilo que o momento poderia sugerir”.

Apesar do típico rigor alemão, o arcebispo emérito de Braga reconhece que, na viagem de 2010, muito foi diferente do que estava previsto em virtude “das conversas espontâneas” que revelavam “um homem do diálogo e da escuta postos em ação”.

HM/LS

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