Maestrina portuguesa esteve com Bento XVI no encontro no Centro Cultural de Belém, em maio de 2010

MANUEL DE ALMEIDA/ LUSA

Lisboa, 31 dez 2022 (Ecclesia) – A maestrina Joana Carneiro assinalou hoje o legado de valorização da arte do Papa emérito Bento XVI e recordou o encontro em maio de 2010, no Centro Cultural de Belém, no encontro com o mundo da cultura.

“Muitas vezes, ao longo destes 12 anos recordei, como pilar e inspiração aquela frase «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza»”, destacou à Agência ECCLESIA a maestrina Joana Carneiro.

Joana Carneiro foi uma das convidadas para o encontro com o mundo da cultura no Centro Cultural de Belém, na manhã de 12 de maio de 2010, onde em palco esteve com Bento XVI, o realizador Manoel de Oliveira, a então ministra da cultura, Gabriela Canavilhas, e o então padre José Tolentino Mendonça, em 2010, diretor do Secretariado nacional da Pastoral da Cultura.

“O Papa Bento XVI tinha essa capacidade de falar a qualquer artista, a qualquer ser humano, qualquer que fosse a sua religião ou não a tendo: tinha a capacidade de falar a artistas e a todas as pessoas da arte, como essa forma de nos levar a um lugar especial, de reflexão, de imaginação, de beleza e bondade, de união entre todos”, recorda.

Joana Carneiro sublinha a ligação de Bento XVI à música, “não só porque apreciava e tocava”, mas porque entendia a arte na sua ligação ao espiritual.

“Ele via na arte em geral, uma forma de sairmos do quotidiano, da nossa rotina diária para um lugar espiritual, um lugar que vai além do terreno. Isso é algo muito simples mas muito profundo e vai ao encontro do que é o papel do artista, o artista que ajuda à reflexão, à felicidade e à espiritualidade, qualquer que ela seja”, sustenta.

Esta valorização da arte, “materializou-se” segundo Joana Carneiro, no convite que o Papa realizou aos artistas em maio de 2010.

“Convidou os artistas de todas as áreas e convidou pessoas ligadas à administração da artes, porque é muito importante esse papel, e falou para todos, no sentido de que essa responsabilidade é levar ao próximo essa beleza, na forma como tocamos a nossa música ou pintamos”, recordou.

Do breve encontro no palco do CCB, a maestrina recorda o “breve momento” partilhado.

“Recordo as suas mãos nas minhas e aquele breve momento que partilhamos. D. José Policarpo, cardeal-patriarca na altura, apresentou-me e foram 30 segundos, um minuto talvez, em que vi os seus olhos nos meus, com muita ternura e atenção ao perguntar-me o que fazia”, assinala.

O Papa emérito Bento XVI faleceu hoje aos 95 anos de idade, anunciou o Vaticano; Bento XVI, eleito em abril de 2005 para suceder a João Paulo II, tinha renunciado ao pontificado em fevereiro de 2013, mantendo uma vida reservada no Mosteiro ‘Mater Eclesiae’, do Vaticano.

LS

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