«Uma condução responsável é também uma forma de amar o próximo» – D. Rui Valério

Fátima, 20 set 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu hoje à Peregrinação da Bênção dos Capacetes, no Santuário de Fátima, desafiando os motociclistas ao respeito pelos outros e à responsabilidade na estrada.
“Um capacete abençoado sobre uma condução irresponsável seria uma contradição”, disse D. Rui Valério, na homilia da celebração, que decorreu no Recinto de Oração da Cova da Iria.
A intervenção destacou que a bênção dos capacetes tem um sentido espiritual “profundo”, porque “pedir a bênção de Deus é assumir um compromisso”.
“Quando pedimos a bênção de Deus, não estamos a realizar um gesto mágico nem a pedir uma espécie de imunidade perante o risco. Estamos a reconhecer algo muito mais sério: a vida é um dom e temos responsabilidade por ela”, precisou.
O Santuário de Fátima recebe desde sábado dezenas de milhares de motociclistas, de norte a sul do país e do estrangeiro, na 11ª edição desta iniciativa anual.
O presidente da celebração apelou à prudência, apresentando-a como uma “forma madura de coragem”.
“Corajoso não é aquele que ignora o perigo; é aquele que sabe que a liberdade precisa de responsabilidade”, indicou D. Rui Valério.
A estrada nunca é só nossa. Na estrada passam vidas. Passam famílias. Passam pessoas que alguém espera em casa. E por isso uma condução responsável é também uma forma de amar o próximo.”
O patriarca de Lisboa utilizou a metáfora das viagens para ilustrar a experiência da fé, lembrando a uma plateia habituada a traçar rotas e a confiar em mapas que Deus “vê mais longe”.
“Nem sempre os caminhos que escolhemos são os melhores, nem sempre aquilo que desejamos coincide com aquilo que nos faz verdadeiramente bem”, advertiu.
D. Rui Valério propôs a figura da Virgem Maria como modelo de confiança absoluta, lembrando que a Mãe de Jesus “não viveu uma vida sem riscos, sem dor, sem momentos de noite escura”.
“Senhora de Fátima, ensina-nos a confiar mesmo quando não vemos a estrada inteira”, pediu.
O patriarca recorreu a São Paulo para recordar que a figura de Cristo tem de assumir-se como “a direção da vida” e “o critério das escolhas”.
“Cristo não é apenas uma proteção que invocamos antes de arrancar ou uma presença a quem recorremos quando o perigo chega”, observou.
A partir da passagem do Evangelho lida na celebração, o responsável católico dirigiu-se aos motociclistas que participaram no encontro por tradição, amizade ou que se encontram afastados da Igreja, afirmando que “Deus nunca se cansa” de sair em busca de todos.
“Há sempre uma hora para recomeçar, há sempre uma estrada que pode mudar de direção”, sublinhou.
Antes do momento formal da bênção, D. Rui Valério desafiou os presentes a olharem para o seu interior e a entregarem a Deus aquilo que precisa urgentemente de cura, seja “uma relação, uma decisão, uma ferida, uma dependência” ou “um medo”.
No início da celebração foi lida uma mensagem enviada pelo Papa Leão XIV aos participantes.
A 11.ª edição da iniciativa estendeu-se de forma inédita aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, com as dioceses do Funchal e de Angra a promoverem celebrações simultâneas em colaboração com os motoclubes locais.
A celebração em Fátima contou com a participação ativa dos próprios motociclistas no acolhimento, na recitação do Rosário, no transporte do andor e na proclamação das leituras.
OC
| Que Nossa Senhora de Fátima acompanhe todos os que hoje aqui estão. Que proteja os que passam a vida na estrada. Que abençoe os que zelam pela segurança rodoviária. Que console as famílias daqueles que partiram. Que dê força a quem traz consigo lutas que ninguém conhece. E que nos conduza sempre até Cristo.
D. Rui Valério, patriarca de Lisboa |
