Decorria o ano de 1251 quando chegam a Portugal e, mais concretamente a Moura, os frades carmelitas recentemente fundados na Terra Santa, como capelães dos Militares da Ordem de São João de Jerusalém, a quem o Rei de Portugal, D. Afonso III, tinha confiado a defesa daquela zona do Alentejo.

Os frades carmelitas instalam-se numa pequena ermida já existente fora das muralhas da cidade, local onde mais tarde se vai construir um pequeno convento e, já no reinado de D. Manuel I o convento atual.
Este foi o primeiro convento carmelita em toda a península ibérica e daqui partiram os frades, por convite de São Nuno de Santa Maria, para fundar o convento do Carmo em Lisboa e mais tarde, os conventos do Carmo de Vidigueira e o de Colares.

É a partir desta casa de oração secular que nasce e se espalha a devoção tão profunda existente a Nossa Senhora do Carmo em Moura, ao ponto de ainda hoje esta cidade e região ser um pequeno oásis de fé na Diocese de Beja.

Como todas as festas hoje em dia, estas revestem-se de um cunho religioso, mas também pagão e têm lugar durante cinco dias. Não há uma data fixa, apenas os cinco dias mais próximos do dia 16 de julho (dia de Nossa Senhora do Carmo), começando sempre numa 5ª feira e terminando na 2ª feira seguinte.

Na parte religiosa, organizada pelas Paróquias de São João Batista e de Santo Agostinho, a festa começa com uma procissão noturna, que em cada ano vai a um dos tradicionais bairros de Moura: Bairro do Sete e Meio, Bairro da Mouraria e Bairro da Salúquia. Em todos os dias há a celebração da Eucaristia, a recitação do terço e, desde há alguns anos a esta parte a realização de um manto de luz, o qual consiste em acender cerca de 2000 velas de barro oferecidas pelos devotos.

O momento alto da festa é sempre o Domingo, com a celebração da Eucaristia de manhã e, a solene procissão da parte da tarde. Nela se incorporam as várias entidades públicas e privadas, as associações com os seus estandartes e milhares de pessoas que, assim manifestam toda a sua devoção a Nossa Senhora do Carmo.

É um misto de festa, de emoção, alegria, mas também de profunda e sentida fé. As festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo em Moura são, talvez, a maior manifestação de fé deste povo alentejano, ao ponto de, mesmo proibidas durante os tempos difíceis da implantação da república para a Igreja, nunca se deixaram de realizar. E, mesmo durante estes dois anos de pandemia, a parte religiosa cumpriu-se, mantendo assim esta ininterruptabilidade.

Convidamos a todos a visitar Moura nestes dias e tornar-se como os Mourenses também um carmelita.

Pe. José Manuel Guerreiro

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Este artigo faz parte da Edição especial da Agência ECCLESIA “Festas da nossa Terra” publicada em agosto 2022

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