Padre Adérito Rodrigues Abrantes evoca história que levou à criação da paróquia

Foto Agência Ecclesia/CB

Aveiro, 17 nov 2019 (Ecclesia) – A Paróquia de Santa Joana Princesa, na Diocese de Aveiro, está a celebrar os 50 anos da sua comunidade, acompanhados sempre pelo mesmo pároco.

“Não tínhamos nem sequer um metro quadrado de terreno para a igreja, tivemos de adquirir uns hectares aqui na igreja e à volta que pertenciam a 11 proprietários que moravam desde Penafiel a Proença-a-Nova passando por Lisboa, Mealhada, Aveiro, Porto, tivemos de fazer muitas deslocações”, explicou o padre Adérito Rodrigues Abrantes, em declarações à Agência ECCLESIA.

O sacerdote recordou que em 1965, quando começou a ser capelão destas comunidades e a ouvi-los para “saber se estavam recetivos a criar paróquia”, inicialmente, “não havia um sentimento de unidade”, mas “todos sentiam que estavam longe das paróquias de origem”.

Neste contexto, explica que os dois principais lugares que iriam formar esta paróquia “eram habitados por gente que não se entendiam entre si, havia rivalidades”, mas levar as crianças “a pé na altura para o centro da cidade era bastante complicado” fosse para a catequese, como para as festas religiosas, principalmente no inverno.

O padre Adérito Rodrigues Abrantes foi ordenado presbítero em 1965 e durante dois anos foi capelão destas comunidades e colaborava com os sacerdotes da Sé de Aveiro, onde vivia.

“Admiro-me como é que ainda têm paciência para escutar a mesma voz há tantos anos, vão dizendo que gostam da minha maneira de exprimir, comunicar. Eu falo e sei que estou a ser ouvido, e esta monarquia de pais para filhos, casando os pais, depois batizando os filhos, os netos, faz com que muita gente me considere membro da sua própria família”.

Foto Agência Ecclesia/CB

Em 11 de novembro de 1969, por decreto do então bispo de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade foi criada o Vicariato/Reitoria de Santa Joana Princesa que se tornou paróquia a 19 de setembro de 1976, quando foi inaugurada e consagrada a igreja paroquial, que começou a ser construída três anos antes; a criação da freguesia de Santa Joana só aconteceu em 1985.

O pároco recorda que a primeira comissão da Igreja “foi extraordinária, de uma dedicação estupenda”, e o povo que começou “a ver qualquer coisa e uniu-se” e para isso contribuiu o facto de terem construído “a igreja no meio dos lugares principais, os tais que se digladiavam”, com o nome neutro de Santa Joana Princesa, “não havia nenhum lugar com esse nome”.

A igreja é da autoria do arquiteto Luiz Cunha, figura ligada ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa em Portugal, no século XX.

“Só pedimos ao arquiteto que fizesse uma igreja com espaço polivalente, foi ponto assente, o Senhor bispo receou mas disse que não faria uma igreja só para culto numa zona pobre, gente agrícola, operários de médios salários, e depois um espaço enorme para outras atividades porque somos os mesmos, somos cidadãos e somos cristãos”, desenvolveu o sacerdote.

 

Sobre a prática religiosa, o padre Adérito Rodrigues Abrantes explica que têm catequese de adultos, com um grupo de pessoas que há vários anos frequentam, e este ano pastoral estão a estudar a Missa, têm catequese desde a infância à juventude, o grupo de jovens “não é pequeno”, mas, por outro lado, existe “um agrupamento de escuteiros com muita gente, crianças, jovens e chefes que passaram por todos os escalões” e é um agrupamento “muito ativo e são muito disponíveis, têm a sede pertinho da igreja”.

“Os jovens fazem parte de um aglomerado que é a família, e sabemos que um criança desde que vem para a catequese se tem uma família que se interessa vai por ai fora mas uma grande parte desta gente partilha da crise geral da Igreja e aliados a outros fatores, por exemplo, temos aqui a universidade, ou vão para outros lados e há dispersão”, desenvolveu.

O pároco de Santa Joana Princesa realça que os jovens “são fáceis, são muito recetivos” mas não é muito fácil congregar, e revela que muitas vezes percorre “mentalmente as ruas da freguesia” à sua procura e encontra muito poucos, “nascem poucas crianças e eles vão-se dispersando, chegam uns tantos ao Crisma mas às vezes é uma solene despedida da Igreja”.

Foto Agência Ecclesia/CB

A paróquia aveirense de Santa Joana Princesa celebrou 50 anos de existência no dia 11 de novembro, durante a Semana dos Seminários 2019, que termina hoje, e o padre Adérito Rodrigues Abrantes assinala que “já foram ordenados três sacerdotes desta paróquia”.

“A comunicação é feita, eles veem a minha maneira de viver, sentem que sou feliz, vivo com alegria, mas jovens há poucos, nascem poucas crianças, se calhar ainda há algumas famílias que afastam alguma possível vocação, porque não têm mais filhos. Procuro ser coerente, procuro ser sincero, procuro ser verdadeiro e frontal, é o testemunho que lhes dou, desenvolveu.

A Semana dos Seminários 2019 teve como tema ‘O Senhor não pensa apenas naquilo que tu és, mas em tudo aquilo que poderás chegar a ser’, inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Christis Vivit’, do Papa Francisco; os subsídios de celebração foram preparados pela Diocese de Aveiro.

CB/OC

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