D. António Moiteiro apela ao envolvimento de todos no «apoio ao seminário», numa Igreja com poucas ordenações

Aveiro, 16 nov 2019 (Ecclesia) – O bispo de Aveiro afirmou que “ser padre é caminho de felicidade”, numa interpelação para os jovens, e apelou a todos na diocese que se “empenhem” no “apoio ao seminário”, num território que “passa por dias difíceis”.

“Os nossos jovens temos de ajudar a perceber que também tenham a consciência que o ser padre é um projeto de felicidade, isto é que importante dizer”, disse D. António Moiteiro, no contexto da Semana dos Seminários 2019 que a Igreja Católica em Portugal está a viver até domingo.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o responsável sublinha que os jovens “podem ser felizes entregando a sua vida à causa do reino de Deus”.

O bispo de Aveiro apela que “todos se “empenhem nas várias dimensões de apoio ao seminário” e a primeira é que as famílias “se consciencializem” que dar os filhos para o sacerdócio ou para a vida consagrada “é o melhor contributo que podem dar à Igreja”.

“A nossa diocese de Aveiro passa por dias difíceis. Estou na diocese há cinco anos, ordenei cinco sacerdotes e temos dois a estagiar, mas nos próximos seis anos temos apenas a perspetiva de duas ordenações, o que significa uma dificuldade muito grande para a vida da diocese”, contextualizou.

D. António Moiteiro assinala que o seminário tem de “continuar a ser o centro da vida eclesial”, a casa de formação de futuros sacerdotes “desse compromisso, da evangelização, o anúncio do Evangelho”.

“Uma diocese que não tenha sacerdotes necessários para a missão apostólica, para o anúncio do Evangelho, para celebração da fé, e para o exercício da caridade, vai morrendo, porque se deixa adormecer”, alerta.

O prelado lembra que há outras formas de ajuda, como a “oração da comunidade cristã” e também a “ajuda material, a partilha de bens” para “manter estas casas, a formação dos seminaristas”.

Já o reitor do Seminário de Aveiro explica que existem “três grandes vertentes” nesta casa: o pré-seminário, para rapazes dos 10 aos 20 anos, com 50 inscritos; o seminário menor, com dois seminaristas; na etapa seguinte, outros dois, a estudar em Caparide e nos Olivais, no Patriarcado de Lisboa, e mais dois em estágio pastoral na diocese, “em preparação para a ordenação”.

“Quem entra em seminário não é com a certeza que vai ser padre, vai com interpelação profunda vocacional de perceber ‘será que o Senhor está a chamar?’. É desta amizade que depois se faz o caminho rumo a seminário e há a ordenação”, disse o padre João Santos à Agência ECCLESIA.

Segundo este responsável, ordenado há quatro anos, “não está propriamente na moda ir para o seminário”, mas hoje consegue-se falar aos jovens sobre o sacerdócio, mesmo com “muitos preconceitos contra a figura do padre” que é “aquele que celebra as Missas, que faz umas coisas religiosas, que tem um discurso fora do comum”.

“Vou percebendo que há nalguns uma interpelação profunda pelo sentido da vida, em que aparece a questão do sacerdócio como realidade de entrega da vida muito forte. Sentem-se interpelados e é bonito ver que alguns vão fazendo esse caminho muitas vezes querendo não querendo”, observa.

O reitor destaca que no seminário “há a regra de que não se mente” e assumem-se “todas as realidades”, procurando acompanhar os seminaristas “com sinceridade, percebendo que todos passam por dúvidas, por momentos difíceis”.

O pré-seminário de Aveiro vai promover a 30 de novembro um ‘open day’ (dia aberto) para rapazes e raparigas que queiram conhecer a proposta de discernimento vocacional, entre as 9h30 e as 18h00.

O padre João Santos explica que a novidade de receberem raparigas foi um pedido feito pelas próprias e vai ser dinamizada com as religiosas do Amor de Deus.

‘Cristo não pensa apenas naquilo que tu és, mas naquilo que poderás chegar a ser’ é o lema da Semana dos Seminários 2019, inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco ‘Christus Vivit’ (Cristo Vive), e os diversos materiais e apoios foram preparados pela Diocese de Aveiro.

“Muitas vezes em seminário quem entra, no primeiro e no segundo ano, percebe as suas fragilidades, e somos chamados a confiar que há caminho para fazer, a não nos determos no que somos, mas chamados a uma realidade de crescimento”, desenvolve o sacerdote.

O reitor destaca que “era difícil” o cartaz desta semana especial “ser mais aveirense”, com os seus diversos elementos – barco, as redes, o horizonte, a imagem da ria – e prepararam “respostas para as várias faixas etárias”.

O Seminário de Aveiro celebrou 68 anos que abriu portas, esta quinta, com a inauguração da Biblioteca D. António Francisco dos Santos, que foi bispo desta Igreja de 8 de dezembro de 2006 a 2014 quando foi nomeado para a Diocese vizinha do Porto onde faleceu a 11 de setembro de 2017, vítima de ataque cardíaco.

CB/OC

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